O Terrorismo em tempos de hiperconexão
A era da hiperconectividade
27/07/2017  11:12


Andrey Augusto Ribeiro dos Santos
Mestrando pelo Programa de pós-graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHC/UFRJ)
Bolsista pela Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (CAPES)
Integrante do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS)

Orientador: Prof. Dr. Dilton Cândido Santos Maynard


Na era da hiperconectividade, vários aspectos do nosso cotidiano passaram por mudanças. Desde serviços bancários até formas de se relacionar, aprender e se manifestar, é indiscutível a maneira como a internet tornou-se fundamental para a manutenção da sociedade. Acompanhando esta metamorfose se encontra um problema que vem mobilizando grandes contingentes humanos e materiais no nosso tempo, o terrorismo.
Ao tocar neste assunto logo vem à mente a associação com atentados suicidas, à bomba ou assassinatos. Porém, mesmo atraindo menos publicidade e por enquanto ainda sendo menos recorrente, outro tipo de terrorismo tem sido uma preocupação crescente para os atuais governos, o cibernético. Também chamado de cyberterrorismo, este se refere ao uso premeditado de atividades que interfiram no bom funcionamento de computadores e redes, buscando causar danos sociais, políticos, ideológicos ou religiosos como forma de intimidação.
Tais ações podem ser colocadas em prática de diversas maneiras: a partir de ataques físicos a servidores, da implantação de bombas lógicas, cavalos de Tróia, vírus e ações que perturbem de forma significativa o funcionamento econômico e estrutural de um país. Também pode consistir no roubo de informações confidenciais de Estados que possibilitem, por exemplo, a identificação de agentes de serviços de inteligência.
Uma ação deste tipo pode se mostrar extremamente perigosa. Um corte de energia, por exemplo, paralisaria redes elétricas e a conexão com a internet por várias horas. Isto poderia causar um efeito significativo sobre a economia de um país, além de afetar a oferta de outros serviços básicos por parte deste. Já a tomada de uma torre de aeroporto ou de outros serviços oferecidos em rede poderia trazer consequências igualmente ou até mais graves.
Nos casos em que Estados apoiam tais ações buscando defender interesses geopolíticos elas podem se mostrar ainda mais problemáticas. Um exemplo conhecido de cyberterrorismo é o caso dos ataques executados por hackers contra o governo da Estônia em 2007. Tudo começou com a realocação de um monumento em homenagem aos soldados soviéticos mortos na Segunda Guerra, fato que deixou a Rússia e a parcela russa da população estoniana enfurecidas. Assim que o monumento foi transferido, os sites do governo, de partidos e da mídia do país foram atacados, ficando fora do ar ou emitindo mensagens que não expressavam a opinião destas instituições. Isto causou grandes transtornos já que a Estônia é conhecida por ter serviços importantes, como o sistema eleitoral e o bancário, dependentes da internet.
Durante a investigação, o governo russo foi considerado um forte suspeito de fornecer apoio aos ataques, assim como em outros vários casos. O último deles envolveria uma suposta intervenção russa através do hackeamento e divulgação de e-mails da campanha democrata nas eleições presidenciais norte-americanas, ocorridas em 2016, que teria buscado ajudar Donald Trump, atual presidente do país, a ser eleito. Isto deixa claro como o apoio de um Estado pode aumentar os problemas causados pelo cyberterrorismo.
A internet também serve como ferramenta para o terrorismo em outros níveis, tais como propaganda e recrutamento. As redes terroristas islâmicas já utilizam muito bem este recurso para proteger suas atividades, recrutar e treinar militantes ou transmitir mensagens de forma segura através do uso de recursos como o software Tor e da Deep Web.
O Estado Islâmico (ISIS), por exemplo, realiza um emprego sem precedentes das ferramentas digitais, lançando mão de um grande arsenal de divulgação virtual e guerra eletrônica que contrasta com a sua retórica reacionária de extremismo. Assim, a troca de mensagens criptografadas em aplicativos como Whatsapp e Telegram, hashtags compartilhadas no Twitter, selfies compartilhadas no Instagram, vídeos de execuções postados no Youtube e até trocas de moeda virtual, o Bitcoin, tudo aquilo ao alcance de um cidadão comum na sociedade de informação é utilizado pelo grupo para divulgar a sua causa.
Assim, o notável aumento de serviços essenciais dependentes das redes, coloca o cyberterrorismo no grupo das ameaças relevantes esperadas para a nossa época. É um problema sério, devido principalmente à dificuldade de fiscalizar o que acontece na internet, e somado as demais ações denominadas como terrorismo é um grande problema para aqueles que o combatem, com perspectivas nebulosas de resolução.



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GETEMPO é um espaço de divulgação científica. Publica semanalmente reflexões de estudiosos das Ciências Humanas. Iniciativa coordenada pela Profª. Andreza Maynard, Doutora em História pela UNESP, Bolsista CNPq/Fapitec-SE em modalidade DCR. O blog é uma parceria do GET/DHI/UFS - www.getempo.org - e da Infonet. Apoio: CNPq e Fapitec/SE.
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