Google e Facebook: novas formas de vigilância?
A exposição da própria imagem nas redes sociais
25/01/2018  07:24


Raquel Anne Lima de Assis
Mestra em História Comparada pela UFRJ (PPGHC)
Integrante do Grupo de Estudo do Tempo Presente (GET/UFS/CNPq)
Email: raquel@getempo.org
Orientador: Dr. Dilton Cândido S. Maynard (PPGHC/UFRJ-UFS/DHI)


A Guerra Fria (1946-1991) foi marcada por uma Ordem Internacional Bipolar, com disputas entre EUA e URSS por áreas de influências ao redor do mundo. Era um conflito entre capitalistas e comunistas que não chegou as vias de fato. Mas, devido às tensões entre ambas as nações era importante conhecer as intenções do inimigo e seus avanços militares, tecnológicos e econômicos. Para isso foram utilizados em larga escala os serviços de espionagem da Agência Central de Inteligência (CIA) e do Comitê de Segurança do Estado (KGB). Instituições americana e soviética, respectivamente.
Uma das formas de ação desses órgãos era por meio da infiltração de agentes secretos no território inimigo para coletar informações que seriam utilizadas na produção de inteligência (a informação analisada e interpretada). Conscientes disso, cada país procurava medidas de segurança através da contraespionagem para detectar esses espiões infiltrados e neutralizá-los. Portanto, todo cidadão poderia ser colocado sob suspeita. Qualquer indício que levasse a pensar que tal sujeito era simpatizante do comunismo ou do capitalismo, ou seja, apto a fornecer informações ao inimigo, era colocado sob a mira dos serviços secretos. Suas atividades seriam monitoradas, locais que frequentava, com quem conversava e sobre o que.
Mas, será que com o fim da Guerra Fria, em 1991, a queda da URSS e a vitória do capitalismo, a preocupação com a vigilância também acabou?  Tal processo de monitoramento continua atualmente. De uma forma diferente, caso não haja a preocupação em manter sigilo, os próprios indivíduos fornecem informações voluntariamente.
Sites como Google e Facebook conseguem ter acesso as diversas informações de seus usuários que as disponibilizam ao se cadastrar e a utilizá-los. Não apenas acessam sites que visitamos e conversas que trocamos nos bate-papos, mas onde estamos e o que estamos fazendo. Muitas pessoas procuram cada vez mais transmitir suas atividades cotidianas na intenção de atrair visibilidade e likes, ou seja, uma procura por popularidade nas redes sociais. Portanto, ações como malhar, estudar, comer, trabalhar, viajar, entre outras são postadas.
Até mesmo quando não estamos acessando esses sites, eles são capazes de nos rastrear. Basta deixar ativada a opção de rastreamento e o GPS que o Facebook e o Google oferecem a opção de check-in ou recomendações de locais ao redor, como restaurantes, bares e pontos turísticos, ou ainda indicam amigos que estejam próximo, por exemplo. Ou se queremos saber o posicionamento político de uma pessoa podemos verificar seus tipos de postagem, comentários e páginas que curtiu.
Portanto, ao fornecerem informações sobre elas, essas pessoas permitem que o Facebook e o Google consigam extrair aquilo que a CIA e a KGB tinham muito mais dificuldade para conseguir. Enquanto essas agências precisavam investigar e procurar  esses dados, esses sites podem acessá-los de forma voluntária. Desde que não haja a preocupação por parte desses usuários em manter sigilo de alguma atividade.
Isso indica que estamos vivendo em uma sociedade do espetáculo. Enquanto que em décadas passadas tínhamos a preocupação em manter a privacidade e o sigilo, atualmente muitas pessoas procuram se expor na esperança de atrair “espectadores” ao tentar apresentar uma vida interessante e feliz ao seu público. Alguns chegam a criar personagens nestas redes sociais com o propósito de aumentar o número de seguidores e, consequentemente, se tornar famoso nesse meio digital, que é mais acessível que a televisão, por exemplo. Para isso, é importante mostrar para esse público o quanto sua vida vale a pena ser exposta e, por consequência, monitorada.



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GETEMPO é um espaço de divulgação científica. Publica semanalmente reflexões de estudiosos das Ciências Humanas. Iniciativa coordenada pela Profª. Andreza Maynard, Doutora em História pela UNESP, Bolsista CNPq/Fapitec-SE em modalidade DCR. O blog é uma parceria do GET/DHI/UFS - www.getempo.org - e da Infonet. Apoio: CNPq e Fapitec/SE.
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