Insensatez e tolice a merecer besteirol
Uma votação tola.
30/10/2017  11:40


Na última semana, mais precisamente, quarta-feira, 25 de outubro, a Câmara de Deputados rejeitou solicitação do Supremo Tribunal para processar o Presidente Michel Temer, acusado de desmandos apontados pelo Ministério Público Federal, tão plenipotenciário, quão atrabiliário assumido, verdadeiro Comitê de Salvação Nacional, em vertente botocuda de terror revolucionário.


Estamos a viver tempos de insensatez, e os bem-falantes assim não o veem, seduzidos e desorientados por seus beletristas formadores de opinião, a conduzir aplausos e desferir apupos, em missão de desprestígio de toda e qualquer eleição, com maiorias absolutas inclusive, e também aquelas frutuárias de somas e quocientes partidários, norteados apenas na insatisfação do apurado.


Para estes, ledor e redator, o resultado da eleição, toda e qualquer apuração encerra sua própria frustração, afinal o formador de opinião tem consigo o próprio malogro: é-lhe insatisfatório a reverência do parvo, do tolo e do imbecil, daqueles que lhe aclamam até o arroto, enquanto erupção de cloaca própria de excedentes ressentimentos.


Porque nunca se diga a contento, o formador de opinião bem se desejaria como um inconteste líder político, quando em verdade é um mau condutor sem conduzidos.


Anima-lhe sobremodo, a frustração dos fracassados, a decepção daqueles que se orgasmam votando nulo na urna eleitoral, enquanto troco de “vingança maligna” a tudo e a todos de não seu agrado.


De agrado mesmo só as denúncias escandalosas, sucessivas e contínuas, agora em vivos e cores, com gravações tenebrosas, fragilizando o edifício democrático, que oscila, pende e desprende, balança e quase derruba, ao sabor de um zumbido qualquer, uma denúncia transmutada em tsunami, uma catástrofe, no noticiário erigido, muito pior do que os piolhos e as chagas, das muitas pragas do Egito.


Do Egito e muitas pragas, Tobias Barreto dissera no seu tempo, quando não havia Rádio, nem TV, mutreta por Iphone e por minigravador xereta, quando se escrevia melhor e se redigia literária crítica, até em alemão: “Quando Deus formou o mundo, / Pra castigo de infiéis; / Deu ao Egito gafanhotos, / Ao Brasil deu bacharéis”.


De Tobias para cá, com poucos gafanhotos, muitos bacharéis, e bem mais seus corifeus, somos; um país de eterna agitação: do Império à República, e desta a outras que lhe sucederam, como a que agora vige, desde a partida dos Generais Presidentes.


Em infelicidade sucessiva, Tancredo Neves, o nosso “Dom Sebastião” esperado, morreu de infecção, posando saudável em fotografia.


José Sarney, o moderado condutor em mar revolto flutuou com duro esforço para não submergir.


Fernando Collor, o “caçador de marajás” tentando modernizar o país em eco de queda do muro de Berlim, caçado restou por “maracutaias”, neologismo entronizado para vingar tão eterno e incontestável quão coonestado não nos quintos infernos, mas nos quintos do averno, daqui mesmo, e sair funesto sem desonestidade comprovada.


Itamar Franco, o do topete, posando com vedete mostrando a xereca feia, não por cabeluda.


Fernando Henrique, “o guru das esquerdas descabeçadas”, aquele que restou tão neoliberal realista, quão fora socialista de visão surrealista, mas que decepcionou até a própria esposa, uspiana socióloga, com as novas amizades em mancebia amorável ao grande capital.


Luiz Inácio Lula, o operário que ousou governar melhor e que agora está denunciado por mesma promiscuidade com o baronato capital.


Dilma Rousseff, a guerrilheira que se perdeu em “pedaladas”, novo nome para deferimento solerte e desferimento necessário aos golpes de estado congressuais, quando não basta ao Presidente ou Presidenta o ser honesto. É preciso saber resistir ao funesto.


E agora Michel Temer, apunhalado novamente, por indícios tão ineptos, quão reptos utilitários, para retirá-lo do poder, em novo golpe tão democrático, quão irresponsável, por escaramuça política congressual.


Ou seja: oito Presidentes; uns derrubados outros balançados ao sabor dos discursos jacobinos e das presunções cabotinas.


Cabotinismos à parte, fala a grande imprensa que o Presidente Temer se safou agora com uma votação menor.


Uma derrota cantada, porque na primeira denúncia (2 de agosto) a votação foi 263 contra, 227 a favor, faltara 19, e 2 não votaram, um por abstenção e outro por impedimento (o Presidente da Câmara). E agora, na segunda denúncia (25 de outubro), o placar foi de 251 votos contra, 233 a favor, com 25 ausentes e dois sem votar em idêntica situação anterior. Uma derrota para a grande imprensa que incapaz de conseguir os 342 votos necessários para derrubar o Presidente, viu de agosto a outubro, oitenta e três dias se passarem, um tempo de quase três gestações de coelhas, para virar somente 6 votos e produzir 6 ausências a mais; zerando o jogo, matematicamente falando.


Curiosamente, quando a estupidez pode ser pose insensata, Sergipe, que depende em tudo das benesses federais, resolveu mais uma vez ser a cauda que abana o canino.


Resolveu virar oposição quase unânime ao Presidente Temer que permanece, quando a posição Surubi, ó coisa terrível!, já não vogava nem contribuía para nada; nada!!! Só para o elogio tolo e vazio daqueles que a esquecem rápido, enquanto fugacidade de notícia.


À parte tudo isso, de Machado de Assis, ao vencedor sempre sobram as batatas.


Já para Sergipe, ó coisa cruel!, sempre é possível receber por seus feitos inzoneiros qualquer sobra dessas cascas de batatas.



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Odilon Cabral Machado

Professor emérito da Universidade Federal de Sergipe, onde foi chefe do Departamento de Física e Diretor do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Vem colaborando como articulista com o Jornal de Sergipe, Gazeta de Sergipe, Jornal da Cidade e o Correio de Sergipe. É autor do livro de crônicas "Despercebido, ...mas não indiferente", e outros trabalhos de interesse acadêmico.
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