O Bastião do Atraso
A BR101 entrará 2018 sem terminar.
31/12/2017  20:03


Quem viaja pela BR101 norte vê a obra interminável de duplicação. Vem do governo Fernando Henrique, ou do regime militar, talvez. A obra é um desafio a governos: Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar, FHC, com oito anos de Real, Lula, outros oito de fastígio real, Dilma, e suas pedaladas fiscais, e agora Temer, baleado duas vezes, mas seguindo em frente, tentando apertos orçamentários, com reparos vários, urinários e coronários, mas resistindo ao bestiário e o noticiário com seu governo, que dizem deixará um legado. De seu legado já se vê por hora: a CLT já está ameaçada; a cobrança de bagagens nos voos aéreos não reduzIu o preço das passagens aéreas, mas os fez lanchonetes voadoras; os 10% opcionais ficaram obrigatórios nas comandas dos restaurantes, que são cobrados à parte em moeda sonante, medidas que iam alavancar empregos e diminuir os preços, todas essas coisas que o lobby empresarial insaciável pede e consegue com o povo sempre se ferrando e pagando a conta. Porque o lobby dos abastados está presente a roer o osso e a carne de todos os governos, sem exceção. Nadaram de braçada até nos governos de Lula e Dilma, que se pensava pantanoso para a burguesia, porque viriam para implantar uma visão social diferente em excedente política compensatória. Mas que em compensação, quem pensaria que os bilionários roubos empreiteiros aconteceriam em governos destes trabalhadores e metalúrgicos, gente que fora presa até, por militância sindicalista, e outros que com arma em punho ousavam implantar uma ditadura bolchevique nos moldes stalinistas neste Brasil, terra adorada! Ou o comunismo por aqui nesta terra amada idolatrada se faz apenas para o comum patrimonialismo dos companheiros e amigos? O comunista sendo sinônimo de safadeza em pose de vítima sempre, por defensor de pobres e oprimidos pela mais valia, esta coisa terrível de entender e explicar, mas ótima como bandeira para tudo justificar. E até roubar! Roubar, roubar e roubar! E continuar roubando! Afinal quem garante que tudo parou e agora a polícia está vidente e a justiça eficiente? Justificações que não convencem nem explicam o desapreço com as nossas estradas nesse sergipinho pequenino, que não frequenta nem mesmo o noticiário nacional, a evidenciar que por aqui não há desmando, propinas de lava-jatinhos, e as contas públicas seguem a lei em boa gestão, mas que mesmo assim as estradas permanecem inconclusas. Ou aqui o roubo é tão miúdo que se descobre no rastro e na intenção parando as obras no nascedouro, na encubação, ou na empulhação, os nossos parlamentares sem conseguir os recursos necessários, nem produzir peso e opinião? Sergipe que grita valente; jamais escutado além dos leitos do Rio São Francisco e do Real. O rabo querendo balançar cachorro, sempre na contramão equivocada, ou seguindo qualquer manada em desenfreio desembestada; quando deixa de ser cauda canina, e vira simples uropígio de ave de baixo voo, em continua menoridade por desimportante. Ou posaram assim tão importantes colocando-se a favor da queda de Collor, de Dilma e de Temer, e agora querendo banir Marun, o “boi-de-coice” ministro, sem negociar nem requerer? E assim a nossa Br101 permanece uma vergonha, enquanto obra federal; um desapreço de todos os Presidentes: os que não caíram e os que foram derrubados. Porque neste toar monocórdio foi recebido agora o bovino Marun que veio negociar apoios para a reforma da previdência e que voltou acusado de chantagem, por surubís, serigís e aperipês, cantando a velha arenga a invocar respeito por se acharem merecedores dos investimentos federais oferecidos, desde que não haja emolumentos e compromissos de contrapartida. Por acaso é assim que funciona, cara pálida? Recebe-se as benesses como se peneirasse água? Tudo em nome do gesto altruísta da federação irrealista? Esse povo não leu Maquiavel. Não é verdadeira a velha lição: aos amigos o afago e aos inimigos o amargo aziago, tudo no fiel tacape da lei? Ou então “Deus o salve, se merecer!” Ou Sergipe quer posar de bateia de peneirar água somente, em que o governo federal tem que dar tudo (e Temer sobremodo agora, enfraquecido e fragilizado), sem invocar um apoio sequer a receber? Por acaso Sergipe acha ser melhor perfilar na oposição ao Presidente Temer, agora que os ventos o favorecem e tudo indica completará o mandato? É chantagem!, denunciam doutros e letrados. Eu não vejo assim. Enxergo mais um equívoco entre muitos. E se alguém reclamar entre outras coisas, que a duplicação da BR em Sergipe não tem fim, culpe-se os nossos políticos e seus corifeus. Falta-lhes pragmatismo, sobrando discurso para o encantamento de seus eleitores num renovado bastião do atraso. Um feliz 2018 a todos.


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Odilon Cabral Machado

Professor emérito da Universidade Federal de Sergipe, onde foi chefe do Departamento de Física e Diretor do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Vem colaborando como articulista com o Jornal de Sergipe, Gazeta de Sergipe, Jornal da Cidade e o Correio de Sergipe. É autor do livro de crônicas "Despercebido, ...mas não indiferente", e outros trabalhos de interesse acadêmico.
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