Lula preso
Eis que o ex-presidente Lula da Silva está preso em Curitiba.
10/04/2018  10:29


Eis que o ex-presidente Lula da Silva está preso em Curitiba.

Está cumprindo pena de 12 anos e um mês por ser considerado dono de um imóvel tríplex, que teria sido por ele adquirido mediante suspeita propina.

Lula foi condenado por suspeita. Não precisava de provas, bastava-lhe as suspeitas de alguns dos seus amigos que se fizeram denunciantes. É o que dizem os áudios divulgados, num pega pra capar, por delação premiada.

O juiz Moro de Curitiba não precisou de provas para prolatar sua decisão; bastou-lhe o convencimento por exaustão, afinal para que procurar provas se quem lava dinheiro não deixa rastro?

Assim também pensou o trio desembargador da 2o Grau, em Porto Alegre, onde o processo foi reexaminado e ampliada a apenação.

Ali a pena do juiz Moro foi considerada muito amena. Nove anos fora uma condenação pequena para um ex-presidente desta república serena. Era para ser perpétua diante da longevidade do paciente.

O trio judicante de Porto Alegre, talvez por conhecer mais e melhor a ação politica do PT em terras guaíbas, resolveu estendê-la para doze anos e alguns quebrados de cadeia.

De concreto, o que se consegue computar temporalmente falando, é que nunca houve tanta rapidez em presteza jurisdicional a evidenciar suspeitas de um procedimento excepcional, um julgamento com pintas justiçais de exceção, segundo muitos endossos e na minha tola opinião.

De concreto ainda, e em maior destaque, é necessário explicitar que nesse campo processual o país se dividiu em prós e contras de fla-flu. Paixões desenfreadas, onde ninguém está certo ou tem razão, valendo até gol de mão. Aí incluídos até o judiciário e o ministério público que no jogo entraram com boa enfiada de mão.

Assim, eis Lula condenado, e já cumprindo sua cadeia, sem direito ao menor recurso de habeas corpus provisório, negado até pelos Ministros que todos lhe pensavam amigos e aliados, mas que lhe viram as costas por melhor momento e ocasião.

Amigos que ousam até contorcionar a interpretação constitucional para utilizá-la em desfavor do petista, afinal em nova visão por escólio, explicita-se o que ali não está mas que segundo eles deveria, em negrito e caixa alta por melhor e necessária inserção, até para melhor rasurar o que ali inscrevera o constituinte como pétrea definição permanente.

E porque não deveria jamais estar, nem agora, e nem em tempo algum, seja violada por estes a “Constituição Cidadã”, empenhando-lhe a deletéria desnecessidade da presunção de inocência, premida pela etérea necessidade do ferrenho combate ao crime.

E o crime de Lula, em tanta presteza e conjugação açodada de causa julgada, vê-se já agora por sua intenção funesta, que só é possível entende-lo assim; uma interferência urgente e necessária, de interferir no processo eleitoral que se avizinha quase decisório.

Eis então um novo golpe consignado, um ataque solapando vasto desejo do eleitorado, uma espécie de impeachment preventivo, cassação sem arbítrio institucional, mas de efeito seminal, aplicável em vasta inspiração e amplas ideias, destinadas a conter excessos e criar desacertos aos candidatos amaldiçoados pelas elites, tudo bem coonestado e consentido pela toga, que se arvora poder interferir na luta política em más aparências de postura impoluta.


Eis aí também, uma nova insatisfação inserida. Uma justiça inconfiável por ousar interpretar a seu talante mutante uma prosélita inspiração.

Uma promessa futura de novas frustrações, sem falar da perturbação da vida nacional, porque longe de termos uma escolha entre propostas racionais e ordeiras, norteadas nas Leis e na Constituição, arriscaremos colocar o país em lutas separatistas e maniqueístas da alma nacional.

Assim, está Lula preso em Curitiba saudado por fogos de artifícios e batidas de panelas, acuado e indefeso, querendo restar somente como uma ideia, nesse país gigante adormecido e sorumbático, que não se idealiza nos seus raros líderes, preferindo prosseguir uma errática História de golpes, contragolpes, tentativas e intentonas da ordem política, como a que estamos a viver agora.

E o povo? Ah! O povo! O povo não está aí nem chegará. Fosse diferente, não haveria fogos de vista nem panelas batidas em vão.

O povo brasileiro é excessivamente inercial! Calmo. Indiferente. Gosta de gritar, queimar pneu, jogar até tinta vermelha na vizinhança de quem lhe não é de todo agrado, quando se mira no que se quer, por acerto bem estudado, e assim resta pior notícia. 

Algo sempre terrível porque atinge quem não merece.

Os vizinhos da Ministra Carmem Lúcia, poder-se-á dizer, não merecem o apreço dos seus erros e acertos, mesmo porque ela não lhes paga o condomínio, nem deve lhes sobrar o opróbio de seus eventuais desacertos e descortinos.

Ou merecem? Perguntaria o piloto do Enola Gay, o avião que destruiu Hiroshima, ou ainda o terrorista suicida camicase das Torre Gêmeas do World Trade Center, aqueles que nas lutas nunca ponderam o ônus das baixas inocentes?!

Felizmente aqui são usadas tintas e não bombas, ou coquetéis Molotov, cujo tutorial ensina a fabricar até em vídeo de Youtube.

Manifestantes radicais insatisfeitos usaram tintas em bolas de soprar como se fora um protesto grafiteiro, sobrando o ônus para a vizinhança pouco ilustre da Ministra.

As coisas são assim: Há ódios como os que mataram Marielle, outros atacaram o Bataclan, o Charles Hebdo, e estes que jogaram tinta vermelha num edifício que nenhuma culpa tinha, mas se fez odiado, por simples guerra política.

Querer ver uma justificativa, defini-la como razoável no contexto da livre aceitação da lei e da justiça não é querer apelar para a santidade dos homens?

E os homens não o são tão santos assim. Nem Lula, nem os anti-Lulas, seus prós e contras, aí incluídos seus julgadores, posem eles mais cândidos que honestos, e tão funestos quão odiados.

Quando um processo mais que judicial, se faz político, estimula tudo ou quase tudo. Vira torcida enfurecida.

Um perigo, com certeza, porque pode desembestar. Ficar incontrolável!

Há pouco, alguns gatos pingados jogaram tinta num edifício sem culpa.

E se uma vasta massa sair enfurecida qual torcida de futebol vandalizando tudo sem controle?

“Pau no Lula e nos seus seguidores!”, dir-me-á um insolente.

Pois é! Começam assim as grandes misérias.



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Comentários
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Azulino
10/04/2018 às 18:54
Excelente texto.

Odilon Cabral Machado

Professor emérito da Universidade Federal de Sergipe, onde foi chefe do Departamento de Física e Diretor do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Vem colaborando como articulista com o Jornal de Sergipe, Gazeta de Sergipe, Jornal da Cidade e o Correio de Sergipe. É autor do livro de crônicas "Despercebido, ...mas não indiferente", e outros trabalhos de interesse acadêmico.
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