Juros pode chegar a 6,5% a.a? Quem se beneficia?
Juros nas mínimas históricas requer dinâmica nos investimentos
14/03/2018  07:59


Juros pode chegar a 6,5%? Quem se beneficia?

O Boletim Focus é um relatório divulgado semanalmente pelo Banco Central e expressa as expectativas dos principais economistas sobre as variáveis macroeconômicas como PIB, Inflação e câmbio. Na última sexta feira (09 de março) o Top 5 economistas que mais acertam, revisaram as projeções para os juros para 6,5% a.a ao final de 2018. Mas como isso impacta os investimentos?


Como já discutido no blog, investimentos conservadores, que chamamos de renda fixa são orientados, basicamente, pela SELIC e pelo CDI. Em outubro de 2016 iniciou-se a flexibilização da política monetária, o mercado assistiu os juros saírem de 14,25% a.a até 6,75% a.a, podendo, ainda em março, chegar a 6,5% a.a. O patamar recorde para os juros brasileiros desde o início do Plano Real fez os títulos de baixo risco, como CDBs, LCIs, LCAs e Tesouro SELIC passarem a rentabilizar entre 0,47% a.m e 0,56% a.m, metade do que o brasileiro se acostumou durante 2015 e 2016. O fato é que aqueles 1% a.m na renda fixa ficaram para trás e, dificilmente, retornarão em um futuro próximo.


A forte queda dos juros não indica que o mercado financeiro está ruim, muito pelo contrário, um cenário de juros baixos e inflação controlada é bastante favorável para a retomada do crescimento econômico. A volta do desenvolvimento gera emprego, renda e eleva a lucratividade das empresas. A expectativa por um país mais favorável para os negócios vem sendo assimilada pelo mercado financeiro desde o início de 2016 e alternativas de investimentos mais dinâmicas vem apresentando bons resultados.


O principal índice da Bolsa de Valores, o Ibovespa, considerado o “termômetro da Bolsa” que tem como objetivo captar a oscilação média do mercado, vem de altas consecutivas, com valorização de 38,93% e 26,85% em 2016 e 2017 respectivamente. 2018 não vem sendo diferente, fechando os dois primeiros meses do ano com ganhos de 11,13% e 0,52%. Estes resultados tem méritos atribuídos às melhoras dos cenários interno e externo.


As duas principais explicações para a correlação negativa entre a Bolsa e os juros estão na racionalidade alocativa e redução das despesas financeiras das empresas. Com juros baixos o capital procurará formas de ser melhor remunerado, fora da renda fixa, migrando para outros mercados como a Bolsa.


Ao entrar no mercado de ações estamos comprando participações de empresas. Os menores custos com despesas financeiras por conta do corte nos juros tornam as instituições mais lucrativas, justificando o crescimento do valor de mercado pela alta nos preços das ações. Além disto, a queda dos juros estimula o crédito e consequentemente o consumo, gerando maior número de vendas e receitas, reforçando o maior retorno aos acionistas através de dividendos.


A redução dos juros alinhada com a melhora das expectativas sobre a economia faz os agentes assumirem maiores riscos e migrarem da renda fixa para a renda variável. Muitos analistas acreditam em IBOV a 120.000 pontos no médio prazo, isto representaria uma valorização próxima a 40% frente ao patamar atual. Para isto se concretizar temos que contar com retomada do crescimento do PIB, algo próximo a 3% para este ano e a continuidade na agenda reformista.


O alto patamar dos juros brasileiros vinha permitindo acumular patrimônio no mercado financeiro facilmente, entretanto esta não é mais a realidade. Investimentos continuam muito bons, até melhor que anos anteriores, mas é preciso sair do conforto da renda fixa bancária e buscar novas alternativas. Caso os analistas estejam corretos, o mercado financeiro será marcado por juros baixos e grandes momentos para a Bolsa nos próximos anos.



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Rafael Saldanha

Economista especialista Investimentos e Finanças, com experiência na área de projetos. Autor do livro Mercado Brasileiro de Televisão: O caso de Sergipe. Atualmente assessor de investimentos na Real Invest e mentor na Real Educação.
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