Porto Real do Colégio (AL) - Índios e jesuítas
Situado a pouco mais de 103km de Aracaju e 172km de Maceió, Porto Real do Colégio (AL) reúne prédios que remetem a presença jesuítica no Baixo São Francisco e uma aldeia advinda da fusão de várias etnias, principalmente Kariri e Xocó.
21/07/2011  08:19


Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Foto: Silvio Oliveira

Porto Real do Colégio (AL) é um dos municípios situado às margens do rio São Francisco que reúne histórias de ocupação indígena e passagens jesuíticas.  Situado na divisa entres os estados de Alagoas e Sergipe, mais precisamente em frente da cidade de Propriá (SE), originou-se com a instalação de um colégio pelos jesuítas denominado de Colégio Real e uma capela em adoração a Nossa Senhora da Conceição. Com a missão de catequizar e fixar os índios no entorno do Colégio, os jesuítas conseguiram o feito e hoje no entorno da Praça Rosita Góes Monteiro pode-se apreciar algumas construções do século XVII, como a Casa Paroquial e alguns outros em mau estado de conservação.

O correto da praça ainda permanece no local e a balaustrada também tem características antigas. As palmeiras imperiais em determinada parte da orla, também conferem um ar da época, mas é a igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição o principal exemplar do século XVII, com imagens de valor artístico e histórico, a exemplo das imagens de Nossa Senhora da Conceição (padroeira), Jesus Crucificado, Santo Antônio, São

Palmeiras imperiais por toda orla. Foto: Silvio Oliveira

José e São Vicente, instaladas nos altares do interior do templo.

O conjunto arquitetônico da praça também englobava a cadeia pública (em ruínas) e a prefeitura já descaracterizada. Há também o Mercado do Peixe e o Mercado Municipal, hoje funcionando o Centro de Apoio Psicossocial do município. No entorno da praça também havia um armazém e a casa de justiça (fórum), porém não foram mantidos para o desagrado da história.

Caminhando pelas ruas da cidadezinha, em direção a saída, avista-se uma antiga estação ferroviária. Sobrevive ao tempo o prédio da estação e um armazém. Perto dali algumas chaminés invocam os tempos áureos, mas a cidade amarga uma baixa arrecadação e a população vive da produção rural e do comércio agrícola na região.

Quando se fala na presença jesuítica de Porto Real do Colégio remetemos também aos indígenas. Porto Real foi palco para inúmeras disputas indígenas, a exemplo dos Tupinambás, Carapotas, Acoranes ou Aconãs e Cariris. Depois de

Antiga estação ferroviária. Foto: Silvio Oliveira

séculos de catequese e aldeamento, os índios instalaram-se a poucos metros da igreja central, também com a chegada de alguns índios de origem Xokó, proveniente da Ilha de São Pedro, em Porto da Folha (SE).

A aldeia é o que restou da fusão de várias etnias indígenas e fica a poucos metros da área urbana. Os índios conviveram por décadas lutando pelas terras com a Companhia de Desenvolvimentos do Vale do

São Francisco (Codevasf) e, com a conquista judicial, vem motivando a manutenção de alguns rituais ancestrais, como a dança do Toré, o ritual do Ouricuri e a confecção de artesanatos, mas pontuam baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a população vive como os diversos produtores rurais de baixa renda: da pesca e da produção agrícola.

A pesca é fruto do rio São Francisco, que além de promover o complemento para a sobrevivência das populações ribeirinhas, também é patrimônio natural e turístico. Suas ilhotas e bancos de areia viram praias de água doce nos finais

Correto histórico da cidade. Foto: Silvio Oliveira

de semana e as tradicionais embarcações to-to-tos fazem passeios pelas principais ilhas, a exemplo da Prainha da Adutora, no município de Telha (SE).

As margens do “Velho Chico” servem de estacionamento para centenas delas, conferindo um colorido especial. O hábito de lavar roupa em suas margens também é secular e sobrevive no Baixo São Francisco como um ofício, mantendo uma tradição milenar. Muitas das lavadeiras preservam o hábito de “bater a roupa” e deixar “quarar ao sol”, além de manter cânticos tradicionais.

No mais, o Porto Real do Colégio une história de índios e jesuítas com as belezas naturais do rio São Francisco. Abençoado pelo Bom Jesus dos Navegantes, que tal conhecê-lo? Agende as datas 25 de janeiro ou 23 de junho, quando os índios Kariri/ Xokó comemoram a coquista das terras dançando o toré e cantado pelas ruas da cidade. É uma boa oportunidade.

Dicas de viagem

Imagem do Bom Jesus no leito do rio. Foto: Silvio Oliveira

Não deixe de fazer o passeio de barco pelas ilhotas. Procure uma embarcação segura e que tenha registro na Marinha. A parada na Praia da Adutora em Sergipe é uma boa pedida. Também feche o preço diretamente com o dono da embarcação.

Porto Real do Colégio não é um município que despontou para o turismo, mas, como vários outros às margens do São Francisco, possui belezas naturais sem igual.

A tribo indígena não mantem as características originais. Os índios foram presevam poucas tradicões. O mais original são os rituais e o artesanato, porém nem sempre encontra produção de peças.

O município possui uma pousada à beira-rio. Caso deseje algo com maior estrutura, poderá hospedar-se em Propriá (SE). O bate-e-volta partindo de Aracaju também é uma boa pedida. Procure um agente de viagem.

Se preferir ir de carro, não tem errada. Partindo de Aracaju, percorra a BR 101 em direção a Alagoas. Há placas explicativas.

A beira-rio há alguns restaurantes e bares sem muito requinte. Na divisa entre Alagoas e sergipe, às mangens da BR 101, logo depois da ponte fica restaurantes que servem boz peixada e churasco. Vale a pena.

Registro

Cotiano da cidade. Foto; Silvio Oliveira
Lavadeiras. Foto: Silvio Oliveira
Antigas fábricas. Foto: Silvio Oliveira

Na Bagagem

Sergipe em circulação nacional

O jornalista Mauro Picini, do Correio do Oeste, no Paraná, escreve sobre as belezas de Sergipe e notícias de Aracaju nos festejos juninos. Ricardo Freire assina uma matéria bem legal no jornal Estado de São Paulo sobre Canindé do São Francisco mostrando o porquê a ida a cidade não deve ser feita num bate e volta, mas programando um dia para visitar muito mais do que somente o Cânion.

Orla Pôr do Sol Jornalista Cleomar Brandi

Bastante oportuna a divulgação da Prefeitura de Aracaju em homenagear nomeando a Orla Pôr do Sol jornalista Cleomar Brandi. O mestre deixou um grande legado para o jornalismo e foi exemplo de companheirismo e amizade. Como ninguem, Cleomar sabia fazer bons amigos e o melhor, mantê-los.

“Friendly LGBT, Pernambuco simpatiza com você”

A Empetur e o Recife Convention & Visitors Bureau irão participar da primeira edição da Expo Business LGBT Mercosul, que ocorre no próximo sábado (23), na Fecormércio, em São Paulo. As entidades terão como principal objetivo promover o Estado de Pernambuco como um destino gay-friendly.

36º Encontro Comercial Braztoa

Os agentes de viagem já podem fazer sua pré-inscrição para o 36º Encontro Comercial Braztoa, que acontece dias 22 e 23 de setembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. O tema desta edição é “Segmentação: O produto certo para cada cliente”. “Como nos últimos Encontros, os agentes de viagem que fizerem sua pré-inscrição terão entrada gratuita. A novidade é que a isenção de qualquer valor foi estendida às caravanas rodoviárias. As inscrições são feitas exclusivamente pelo site www.braztoa.com.br.

Passaporte

Lisboa - Largo do Chiado e café A Brasileira

Legenda

São dois lugares emblemáticos que o turista não pode deixar de ir. O Largo do Chiado fica na parte alta da cidade e bem pertinho de diversos prédios históricos de Lisboa, a exemplo dos teatros da Trindade e de São Carlos. Lá também ficam inúmeras igrejas. Antigamente era ponto de encontro da intelectualidade e foi palco de um grande incêndio, que destruiu diversos casarios. Para chegar lá, nada melhor do que de bonde elétrico.

Não deixe de visitar também o café A Brasileira, famoso ponto de encontro da intelectualidade principalmente Fernando Pessoa. A sua frente há uma estátua do escritor. O café A Brasileira foi fundado por um portugues que vierá no Brasil importava café, goiabada, tapioca, pimenta, farinha, tapioca. Desde 1905, quando foi criado até hoje, preserva a decoração e algumas relíquias. Vale a pena conferir.



Praia da Adutora (SE) – Diversão entre Propriá e Telha
Maceió (AL) – Renda-se ao artesanato alagoano
Gararu (SE) - Passeio de barco e trilha ecológica
Piranhas (AL) - Cenário de beleza no sertão
Maceió (AL) – Sombra e água fresca
Ilha de São Pedro (SE) – Destino a ser desbravado
Propriá - Completa vocação para o turismo
Baixo São Francisco - Lavadeiras resguardam tradições
Foz do São Francisco é de aguçar os quatro sentidos
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Silvio Oliveira

Jornalista, especialista em Gestão da Comunicação e responsável pela fan page Tô no Mundo. Escreve sobre Turismo para o Portal Infonet desde 2009. Atuou em jornais, a exemplo do Correio de Sergipe e cadernos especiais do Cinform, além do Portal F5 News. Passou por Assessorias de Comunicação e Agências de Notícias do Governo de Sergipe, Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe/ Projeto Mar de Sergipe e Alagoas e Prefeitura de Aracaju.
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