Bogotá: Surpreendendo brasileiros
Dicas de dois dias na capital dos colombianos
29/09/2016  08:03


Vista panorâmica da cidade do Cerro Monsserate. Um dos melhores passeios de Bogotá

Em tempos de assinatura de acordo histórico de paz entre o Governo da Colômbia e as Farc, o Tô no Mundo traz um passeio turístico pela capital dos colombianos.

Por muito tempo Bogotá historiava um passado de tráfico de drogas e violência, e poucos queriam conhecê-la. A realidade vem se transformando e a cidade, outrora violenta, conseguiu reverter um legado negativo, transformando-se numa agradável surpresa.

Não é por acaso que a fama do crescimento econômico e mudança para melhor de Bogotá tem ultrapassado fronteiras. O centro histórico da Candelária, o Cerro Monserrate, o polo gastronômico de Usaquén, Zona T e Zona G, os diversos museus e a Catedral de Sal, em Zipaquirá, na povoação do Departamento de Cundinamarca, além da boa gastronomia e da hospitalidade de seu povo, têm ganhado os corações dos turistas brasileiros.

Candelária é o bairro do Centro Histórico. Ao fundo, Cordilheira dos Andes

O Tô no Mundo traz dicas para aproveitá-la em dois dias. Mas já avisando: a cidade tem muito a oferecer.

O aeroporto internacional El Dourado é a porta principal de chegada à Bogotá. É considerado o primeiro aeroporto em movimento de cargas da América Latina e talvez por isso o transporte de passageiros não seja uma marca da boa qualidade no serviço. Mas nada que desanime chegar até a cidade, que dista dele cerca de 15km. Taxistas ou micro-ônibus estão disponíveis logo no desembarque. A dica é preferir o transporte oficial em carros brancos. O custo é bem acessível para os brasileiros.

Chivas são ônibus para transporte público

A primeira impressão é de um trânsito caótico e pouco planejado. E isso se confirma durante a estadia na cidade. Aos poucos, o turista vai ganhando uma outra impressão de Bogotá: uma cidade hospitaleira e em crescente pujança econômica e desenvolvimento turístico.

Catedral Primada de Bogotá na Praça Bolivar

Prédios de tijolinhos aparentes como em Londres ganham vez na paisagem. Restaurantes por todos os lados, mesmo que ainda na periferia do Distrito Capital de Bogotá (Bogotá DC), o que demostra que a cidade realmente é condicionada “a boa mesa”.

O friozinho devido à alta altitude (2.640 metros acima do nível do mar) toma conta do espaço. A capital fica em uma savana circundada pela Cordilheira dos Andes Oriental. É a 4ª mais populosa cidade da América do Sul, superada somente por São Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires. Sua altitude a coloca como a 3ª capital de maior altitude do mundo, atrás apenas de La Paz, na Bolívia, e de Quito, capital do Equador.

Cerro Monsserate

É notório através de um giro panorâmico que a cidade passa por uma estruturação e melhoria econômica, com construção de prédios modernos e pujante presença de turistas. A alegria do bogotanos é uma atração à parte.

Em dois dias de visita o turista terá que priorizar os principais atrativos, como a visita aos Museus Botero e do Ouro, a subida até o Cerro Monserrate, flanar vendo os prédios históricos da Candelária e retirar um tempinho para conhecer a famosa e exuberante Catedral de Sal, construída no interior de minas de sal de Zipaquirá, a poucos 49km de distância de Bogotá.

Catedral de Sal em Zipaquirá

O centro histórico denominado de Candelária é onde se concentram os principais prédios públicos, igrejas e museus. A Praça de Bolivar pode servir de ponto de referência. Não deixe de ver a Catedral Primada e os prédios públicos vizinhos a ela, como os palácios da Justiça e do Governo.

Catedral de Sal

Em uma rua transversal ficam o Museu Botero e a Igreja da Candelária. Bem pertinho do museu está o Centro Cultural Gabriel Garcia Marques e a Casa da Moeda. Em cada esquina, o centro lhe proporciona lojas das famosas esmeradas colombianas, além de pedras preciosas e bijuterias com design da arte pré-colombiana.

A cada rua do bairro Candelária você terá uma surpresa nas fachadas dos prédios em bom estado de conservação. Pertinho dali também fica o Teatro Cólon e mais a frente o santuário de Nossa Senhora do Carmo, uma arte salesiana construída em vermelho e branco, além de vários outros prédios de imponentes fachadas históricas.

Praça Bolivar é o ponto central dos passeios ao Centro Histórico

Não deixe de visitar também o Museu do Ouro, no outro extremo da praça seguindo um calçadão comercial.

Caso queira almoçar no local, o restaurante do próprio Museu Botero serve bons pratos. O pescado é uma boa pedida. Mas se preferir conhecer a gastronomia bogotana, entre em um dos tradicionais restaurantes regionais que passeiam pela culinária com pratos à base do abacate e do milho, como o tradicional prato típico Ajiaco Santafereño, um caldo de batata com guascas (erva colombiana), milho cozido, frango, abacate, creme de leite e alcaparras servidos à parte.

Lhamas e detalhes do Centro Histórico

Caso queira um gosto mais exótico, no centro há vendedores de formigas assadas. Isso mesmo! Parecidas com as tanajuras brasileiras. Acompanhe o vai e vem dos turistas e o assedio dos vendedores na praça, que vendem milho para os pombos, fotos com lhamas, chapéus, “joias”, entre vários outros objetos.

Descanse observando as lojas de esmeraldas no centro. O ouro também é bem tradicionais na Colômbia.

Fora do centro histórico – No segundo dia, não deixe de conhecer um pouquinho das famosas Zona T, Zona G e redondeza do Parque 93. São nessas áreas onde ficam restaurantes internacionais e centros comerciais.

Museu Botero na Candelária

Em Usaquén ficam os hotéis mais executivos. No domingo, a praça do bairro recebe uma feira de antiguidade. Também fica ao redor desta praça a igreja de Santa Barbara, e nas ruas paralelas, um polo gastronômico e etílico onde a noite adentra a madrugada até altas horas.

A dica é reservar um turno do dia para fazer a denominada maravilha do mundo moderno da Colômbia: a Catedral de Sal. Realmente é única. Construída no interior das minas de sal de Zipaquirá, na Savana de Bogotá, o santuário católico faz memória à Via Crucis de Jesus Cristo e é considerada de valor patrimonial, cultural, religioso e ambiental dos colombianos.

Museu Botero na Candelária

A catedral subterrânea faz parte do complexo cultural Parque do Sal, espaço temático dedicado à mineração, à geologia e aos recursos naturais. O visitante percorrer túneis multicores com pequenas capelas até chegar a catedral a 180 metros abaixo do solo.

De volta a Bogotá, peça para o transporte lhe deixar na estação do teleférico do Cerro Monserrate. A subida é íngreme onde se tem uma vista panorâmica da cidade e da Cordilheira dos Andes. O passeio é imperdível.

Usaquén visto do terraço do Hotel Tryp

Dicas de viagem

  • O peso colombiano é a moeda local. 1 Real Brasileiro = 890,58 Pesos Colombianos em 16/9/2016. A dica é levar real e cambiar lá mesmo, mas deixe para trocar em casas oficiais no centro da cidade, pois há registros de grande circulação de notas falsas. Nas casas de cambio do centro, o funcionário carimba as notas para especificar que não é falsa. As taxas praticadas nos câmbios do aeroporto são mais altas que no centro da cidade.

  • santuário do Carmo é uma obra dos salesianos

    O trânsito é complicado e engarrafado na cidade. Exige-se um teste de paciência para chegar a alguns locais da cidade, afastados do centro histórico.

  • O serviço de taxi de Bogotá é uma boa opção. Os taxis amarelos são oficiais, tanto quanto os taxis brancos. A diferença é que os táxis brancos são exclusivos para turistas e executivos e não podem parar em qualquer lugar da cidade. Os táxis amarelos são mais em conta e param em qualquer chamada. Não difere muito do preço.

  • Parque de Sal em Ziquipará, na Grande Bogotá

    Vale a pena ir a Catedral de Sal. O preço varia de transporte e quantidade de passageiros. Um transporte para quatro pessoas varia em torno de 220 mil pesos colombianos. Faça um roteiro que permita uma hora para ida, uma hora para volta e mais duas para conhecer com tranquilidade o templo.

  • Na cidade de Zipaquirá, onde fica o Parque de Sal, há um centro histórico e a cidade é bem charmosa. Também há ônibus ligando o centro da cidade à Bogotá, mas não é recomendado para quem tem pouco tempo.

  • Arepas servidas no café da manhã

    Os famosos Chivas são ônibus tradicionais em diversas cidades da Colômbia. São ônibus antigos, sempre cheios, que fazem as linhas diárias da cidade.

  • Tome cuidado com pertences ao caminhar pelo centro antigo da cidade. Não é demais precaver-se em qualquer cidade.

  • Caso não queira comprar com ambulantes, não receba nenhum objeto entregue por eles. O assédio para compra é grande, principalmente, na praça central do bairro Candelária.

Arequipe com doce de mora - Doce de leite com amoras
Ajiaco - Prato bem tradicional a base de caldo de batata, frango, milho e abacate

Gastroterapia

A gastronomia colombiana por si só já valeria um post. Sem sombra de dúvida o ajiaco é o prato típico colombiano e pode ser degustado em qualquer restaurante da cidade. O prato é um caldo de batata com milho inteiro, frango (desfiado ou não), servido com abacate, alcaparras e creme de leite.

Os patacones, pedacinhos fritos de banana da terra crocantes, são sempre servidos como acompanhamento de vários pratos. Essa é à base do patacón, típico e simples prato colombiano, que pode ser servido puro ou com patês de frango, guacamole, vinagrete, no café, almoço e jantar.

Os pantacones são chips de banana da terra
Ajiaco acompanhado de suco de lulo

As arepas são presença certa no café da manhã e costuma ser servidas como acompanhamento. Feito a partir da farinha de milho, a arepa tem formato circular e é achatada. A farinha é misturada com água, e sal, e às vezes é acrescentado leite e/ou ovos. Então a massa é feita em pequenas bolas e achatadas. Ela é consumida normalmente com queijo, manteiga ou outro alimento.

A changua é uma sopa servida no café da manhã à base de leite e ovo, com ervas, principalmente coentro.

Changua servida no café da manhã

Não titubei em pedir o arequipe, doce de leite colombiano, ou os doces regionais, a exemplo do de mora (amora) ou tamarillo (tamarindo).

O oblea, talvez o mais vendido doce colombiano, é um sanduiche composto por dois biscoitos gigantes e finíssimos com recheios variados que podem ir do tradicional doce de leite (arequipe) até chips de chocolate, coco ralado, queijo e geleia de frutas. Esses são vendidos em qualquer esquina do centro histórico.


Fotos: Silvio Oliveira

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Kelly Cristina Benfica Prazeres
29/09/2016 às 11:00
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Silvio Oliveira

Jornalista, especialista em Gestão da Comunicação e responsável pela fan page Tô no Mundo. Escreve sobre Turismo para o Portal Infonet desde 2009. Atuou em jornais, a exemplo do Correio de Sergipe e cadernos especiais do Cinform, além do Portal F5 News. Passou por Assessorias de Comunicação e Agências de Notícias do Governo de Sergipe, Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe/ Projeto Mar de Sergipe e Alagoas e Prefeitura de Aracaju.
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