Feira de Itabaiana (SE): Em se plantando tudo dá
Pujante, cultural e produtos Made in Itabaiana
08/03/2017  11:30


Itabaianenses no Centro de Abastecimento

A expressão “em se plantando tudo dá” remete à Carta escrita em 1º de maio de 1500 por Pero Vaz de Caminha ao rei Dom Manuel, contando sobre a terra recém-descoberta. A expressão é usada até hoje para designar uma terra fértil e, no caso atual de Itabaiana (SE), cidade próspera do Agreste de Sergipe que fica a poucos 35km de Aracaju, cai bem para designar a quantidade de hortifrúti encontrada na feira livre.

Os gostos, sabores, cores, cheiros e sensações são de transformar um espaço de compras do dia a dia em ponto turístico.

Considerada a maior feira ao ar livre do gênero do interior de Sergipe, as bancas expostas redesenham um espaço multicolorido e agradável de passear e de se observar. A cidade também tem um comércio pujante, com destaque para as semi joias, além de ser a Capital Nacional do Caminhão, por apresentar uma frota expressiva desse tipo de transporte.

Variedade de frutas e verduras

Do “adicuri” quebrado ao maturi, do queijo do sertão ao requeijão da raspa do tacho, do jiló a seriguela. A feira de Itabaiana é com certeza o maior posto de abastecimento da região, e quiçá, do Estado, com exceção da capital Aracaju (SE). É também onde se pode apreciar um significativo menu nordestino, que vai desde a galinha de capoeira com fava, carne de sol com macaxeira ao sarapatel. Tudo isso para dar sustança na primeira refeição do dia.

Sorvete de suco é bem procurado nas feiras de Sergipe

Em alguns pontos, percebe-se que não é somente o varejo que faz de lá um grande posto de venda. O atacado também está presente no Centro de Abastecimento de Itabaiana e em várias lojas de hortifrúti.

A feira é realizada duas vezes por semanas e atrai não somente itabaianenses, mas um grande número de compradores e turistas advindos até mesmo da capital. Conta a história que o ponto de venda iniciou aos sábados em 1888 na praça Fausto Cardoso, e por apresenta um grande crescimento, teve que ser retirado do local. Em 1928 mudou o endereço para o Largo Santo Antônio, onde continua até hoje. Com o crescimento, foi criado o Largo José do Prado Franco e hoje se estende por várias avenidas, com setores de confecção, cama e mesa, hortifrúti e granjeiros, utensílios de casa.

Celeiro agrícola do Estado

Ao todo são 350 bancas que tomam várias ruas do Centro da cidade e é possível encontrar redes, brinquedos, confecções, roupas. O visitante percebe ainda a resistência dos carros fabricados manualmente de madeira e as belezas das bonecas de pano, que competem com os produtos importados. Temos de tudo que o cliente pensar e se não tiver, fabricamos na hora”, diz Seu Benedito Silva, fabricante de carros de madeira.

Cultura presente nos carrinhos de madeira

Made in Itabaiana - Do povoado Carrilho vem a castanha, mas logo os munícipes perceberam que o fruto ainda jovem do caju, denominado de maturi, é o diferencia entre as feiras livres do interior, e tratou de vende-los quase que com exclusividade no interior de Sergipe. Da frutinha jovem do caju faz-se ensopados e até mesmo substitui as carnes e frutos do mar da moqueca, afinal já ouviu falar de moqueca de maturi? Não. Em Itabaiana tem. O maturi é vendido na feira livre ao preço de R$ 5 um copinho.

Do lado direito do Centro de Abastecimento, chama atenção a quantidade de camarão e os tipos do crustáceo expostos, que vão desde aos camarões de viveiro, de água doce, com casca, filé de camarão, a saburica e os defumados.

Tipos de camarão

O peixinho seco Made in Itabaiana é o bacalhau produzido ali e vendido a precinho camarada. Mas não é o só o peixe artesanalmente produzido pelos itabaianenses que fazem a festa dos consumidores. Os queijos são culturalmente vendidos a preços camaradas, como o requeijão do sertão, o de taxo, e o chamado de enlatado. Todos eles têm um diferencial na hora de manipulá-los.

Maturi é a fruta jovem do caju Made in Itabaiana

Não tem visitante que não queira tirar uma casquinha dos queijos expostos, devido ao cheiro e a cor. Bastantes apreciados na culinária regional/ sertaneja/ nordestina, o queijo do sertão tem sabor apurado e amanteigado, ganhando os paladares mais exigentes.

O passeio pela feira livre de Itabaiana é como excursionar pela variedade de cores, gostos, cheiros do Nordeste e um pedaço de Sergipe próspero e vibrante. Caso ainda não esteja satisfeito em somente observar, conversa com Seu Baixinho da Macaxeira, Wilson do Pastel, Zé do Dicuri para saber o porquê da pujante economia.

Zé do Dicuri mostrará a vasilha do coquinho quebrado e explicará: “Para chegar a esse tanto, passeia a manhã toda quebrando”. Por si só a afirmação contempla um dos pilares da pujança da região: trabalho

Variedades de camarão e peixes salgados

O povo trabalhador, a força da agricultura e do agricultor, além do mix da cultura local reservam um bom passeio pela feira de Itabaiana.

Dicas de Viagem

  • A depender da disposição, vale a pena visitar o Parque dos Falcões no mesmo dia. Único local autorizado pelo Ibama no Brasil para recuperação e criação em cativeiro de aves de rapina como: falcões, corujas e gaviões, o Parque fica na BR 235, no povoado Rio das Pedras. Agende com antecedência a visita e fale com Percílio dos Pássaros, o proprietário da localidade. Faça seu agendamento através dos telefones: (79) 9962-5457 / 9885-2522 / 9131-3496.

  • Ouricuri, adicuri ou simplesmente dicuri

    Há também no município inúmeras cachoeiras, trilhas ecológicas, por conta da Serra de Itabaiana. O monumento natural é um parque nacional e exige-se autorização para entrar. Mesmo assim, no Parque da Serra de Itabaiana ainda não tem muito rigor neste sentido.  É aconselhável solicitar o serviço de um guia florestal ou uma agência especializada em ecoturismo ainda em Aracaju.

  • Algumas agências de viagem da capital promovem passeio bate e volta para o Parque Nacional da Serra de Itabaiana com o Parque dos Falcões. Também a possibilidade de se fazer um passeio pela cidade. Consulte um agente de viagem.

  • Variedades de queijos e requeijões

    Itabaiana não tem tantos pontos de interesse turístico, mas por ser uma pujante cidade e oferecer uma feira livre que gira a economia da região, vale a pena fazer uma visita. Passeie pela praça Fausto Cardoso e conheça a catedral da cidade.

  • Pirulitos e doces

    Há possibilidade de ir até a cidade de ônibus de linha ou transporte alternativo que partem quase que de meia em meia hora da rodoviária velha no centro da capital.

Gastroterapia

O visitante pode desfrutar da culinária nordestina em um dos pontos da feira, que vão desde os lanches, como o pastel de frango, de pizza e de queijo ao preço de R$ 3, aos mais variados pratos caseiros, a exemplo da buchada de carneiro ou de porco, vaca atolada, rabada, carne cozida com macaxeira, carne do sol com macaxeira ou cuscuz, fígado de boi assado na brasa, inhame com galinha de capoeira, muitos deles acompanhados com feijão verde ou fava, ao gosto de freguês. Os pratos variam de R$ 9 a R$ 15. Não deixe de apreciar os doces locais, os queijos que variam de R$ 19 a R$ 25, o quilo.

Caldo de cana com pastel
Wilson do Pastel
Wilson do pastel
Baixinho da macaxeira

Há também uma outra pedida para o paladar. Os doces e biscoitos podem ser consumidos na “Casa de Doces Caseiros”, em frente ao Parque Nacional de Itabaiana, no povoado Rio das Pedras, na BR 235. Ao voltar para Aracaju, vale à pena fazer a parada e apreciar à diversidade de doces e tipos de biscoitos, que vão desde goiabadas, doce de abobora, figo, jaca, queijo, de leite, entre outros. A parada é quase que obrigatória.

Fotos: Silvio Oliveira

Contato: silviooliveira@infonet.com.br

Requeijão do sertão

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Castanhas do povoado Carrilho
Abastece todo o Estado
Jabuticaba



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Silvio Oliveira

Jornalista, especialista em Gestão da Comunicação e responsável pela fan page Tô no Mundo. Escreve sobre Turismo para o Portal Infonet desde 2009. Atuou em jornais, a exemplo do Correio de Sergipe e cadernos especiais do Cinform, além do Portal F5 News. Passou por Assessorias de Comunicação e Agências de Notícias do Governo de Sergipe, Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe/ Projeto Mar de Sergipe e Alagoas e Prefeitura de Aracaju.
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