Aracaju (SE): Roteiro central a pé II
Complexo de mercados completam o city tour
03/08/2017  09:59


Relógio símbolo do mercado Antônio Franco

Tô no Mundo traz nesta semana o segundo roteiro turístico pelo centro da capital de Sergipe, Aracaju, que pode ser feito em união com o primeiro ou não. Preferencialmente a pé, o roteiro já foi percorrido por vários grupos de estudantes de Turismo e até mesmo por historiadores, demostrando a sua viabilidade. Do turismo cultural ou histórico, dos passeios fluviais ou até mesmo gastronômico, a região central de Aracaju reserva bons atrativos e oferece um diferencial de infraestrutura em restaurantes, informações turísticas, centros culturais para acolher bem o visitante.

Percorremos as praças Fausto Cardoso, Almirante Tamandaré, Olímpio Campos, General Valadão e os calçadões das Laranjeiras e João Pessoa, com avenida Rio Branco no primeiro roteiro, que pode ser feito em uma manhã ou dois turnos. A dica é completar esse city tour com uma visita ao complexo de mercados setoriais da capital sergipana, centro de sergipanidade, feito durante todo o dia, com parada para almoço em um dos mercados.

Vista do segundo andar do Antônio Franco

Os mercados Antônio Franco, Thales Ferraz e Albano Franco compõem um conjunto arquitetônico onde a sergipanidade está presente no dia a dia da capital Aracaju. É lá onde se pode encontrar produtos oriundos dos diversos territórios sergipanos, do litoral ao alto sertão.  Doces de Propriá, rolo de fumo de Lagarto, queijo de Nossa Senhora da Glória, artigos de barro de Santana do São Francisco, flores e hortifrúti de vários lugares do Estado.

Mercado Thales Ferraz

Diferente do que acontece em outras capitais, Aracaju possui três mercados complementares, além da denominada Passarela das Flores e do Atracadouro do Peixe, formando um grande complexo de cultura e arte popular, que é ponto de parada obrigatória para quem visita Sergipe.

Comece pelo primeiro deles: o mercado Antônio Franco, com seu relógio ao centro e rodeado por bares e restaurantes, por vezes também confundido e chamado de Thales Ferraz, redes, bordados e artesanatos de barro expressos em bonecas coloridas, de um lado do corredor. Carne do sol na churrasqueira servida com macaxeira, do outro lado. Em meio a cheiros e cores, o barbeiro lhe convida para ”dar um grau no visual”. A manicure corta as unhas, enquanto que se pode ler a mais autêntica literatura de cordel adquirida ali mesmo. É o cotidiano e as manifestações populares revelados através de um passeio pelos seus espaços.

O mercado Antônio Franco vai se revelando em uma edificação em estilo eclético, puxado pela art nouveau, inaugurado em 1926. Nas quatro torres de seus cantos funcionam restaurantes e em duas delas têm-se uma vista privilegiada do rio Sergipe.

Cotidiano

Ao centro, fica o famoso relógio do mercado, envolto de lojinhas onde se pode comprar quase tudo: desde ervas medicinais, de objetos de armarinho e de pesca, ferramentas, produtos para animais até o tradicional artesanato sergipano.

Ponto de encontros de uns, ganha pão de outros, o mercado Antônio Franco é um daqueles locais onde se tem de tudo, desde os personagens em cordéis, que mais parecem pular dos livros de Ariano Suassuna às histórias do detetive Sherlock Holmes. É só sentar a uma de suas mesas e tentar papear com os populares que as histórias soam como contos do cotidiano: manicures, barbeiros, turistas, cozinheiras, mulheres da noite e do dia, gente que cultua o ócio e transeuntes à trabalho. Mas se ao caminhar por seus corredores for parado por dois violeiros, a dica é ouvir um pouco do que os repentistas têm a dizer. A secular arte do repente está presente nos mercados nordestinos e Aracaju não poderia ser exceção.

Se preferir não papear e quiser viajar na literatura de cordel, em uma das saídas do mercado está o box de João Firmino Cabral, que vende cordel há mais de 52 anos. Dificilmente um turista passará despercebido pelo local, sem comprar pelo menos um. A banca Ritos também está presente no mercado e é um daqueles locais de resistência: só vende literatura sergipana.

Passarela das Flores - Saindo do mercado no sentido norte, passa-se pela Passarela das Flores inaugurada em 2000, quando o complexo de mercados foi revitalizado. A passarela abriga floristas que vendem desde buquês até botões de flores naturais. O cheiro é evidente, mas ao passar pela passarela e chegar ao mercado Thales Ferraz – inaugurado em 1949 para auxiliar o antigo mercado da capital – um outro cheiro aguça o paladar: a tapioca e as iguarias produzidas com côco. Beiju molhado, sarolho, biscoito de goma, malcasado, pé de moleque, além de melado, castanha, amendoim e diversos doces em calda fazem a festa dos turistas.

Passarela das Flores

O formato do mercado como se fosse ¼ de pizza é bem interessante e ao centro fica um estande de informações turísticas. Nesta mesma área, o cheiro de erva medicinal secando ao sol é irresistível e a diversidade de queijos e derivados do leite espalha-se por todas as lojas, além do doce de pimenta servido na hora.

Para fechar o passeio turístico, o mercado Albano Franco é o mais novo do complexo, inaugurado em 1980 para ser o centro de abastecimento popular, já que os outros dois mercados não comportavam mais a crescente demanda da capital. É lá onde o cotidiano sergipano se revela através das cores da mangaba, acerola, umbu, seriguela, cajá, graviola e caju. O amendoim cozido é apreciado em toda parte e a variedade de molhos de pimenta dá um colorido especial ao centro de compras, mas quem já viu um mercado nordestino sem rapadura e ouricuri? Lá também tem.

Em frente a edificação fica um painel confeccionado pelos artistas Leonardo Alencar e Osíris Rocha. A arte está bem representada se o visitante tiver o contato do dia com um fotógrafo lambe-lambe bem à frente. Isso mesmo, ainda existe no mercado Albano Franco.

Mercado Albano Franco

Retrato em mãos, o passeio só está começando e a dica é se deliciar com os encantos das manifestações cotidianas de Sergipe em um só local, pois os mercados centrais de Aracaju reúnem num só lugar história, tradição, artesanato, culinária típica. São gente como Firmino do Cordel, Xaxado, Seu Careca, Anderson das Ervas, Zé dos Cocos e vários outros que deixam todos os dias a marca da sergipanidade nestes locais. Assim como a gente do Mercado Modelo de Salvador, do Ver-o-Peso em Belém, ou do Mercado Central de Belo Horizonte, nos mercados centrais de Aracaju estão um pouquinho das cores, dos sabores, sons e os gostos do povo de Sergipe, nordestino, brasileiro. É só ir lá e perceber.

Painel de Leonardo Alencar

Dicas de viagem

  • No Mercado Albano Franco procure aproveitaras frutas da época. As raízes, como macaxeira e inhame, estão fartas e com um preço bom no mercado.

  • Para quem gosta de produtos estilo Made in China, há um grande setor de eletroeletrônicos no andar superior e térreo do Albano Franco. Perceba também a quantidade de utensílios para casa.

  • Gostos e cheiros no Albano Franco

    Caso queira fazer uma visita guiada pelos mercados centrais, procure uma agência de viagem. Guias especializados acompanharão e levarão aos melhores locais do complexo.

  • Veja também pertinho dali a orlinha do bairro Industrial. Há uma bela vista do rio Sergipe.

  • Como todos os centros populares do país, não descuide da segurança dos pertences. Se for alguém oferecer o serviço de carrinho de mão para suas compras, certifique o preço antes do contrato.

  • Vale a pena pechinchar os preços dos artesanatos

Gastroterapia

Patrimônio sergipano

A dica é experimentar as sensações gastronômicas no mercado Antônio Franco em um dos restaurantes populares do centro turístico e de artesanato. No andar superior, às margens do rio Sergipe, a culinária criativa ou regional está presente em alguns dos bares e restaurantes.  No andar térreo, ladeado por artesanato nordestino e cultura popular sergipana, o turista pode degustar da carne de sol com macaxeira, arroz e feijão fradinho com manteiga de garrafa, de uma boa feijoada sergipana acompanhada de verduras, moquecas de pescados, sarapatel, carneiro cozido, arrumadinho, buchada, entre outras iguarias bem tradicional. Uma dica: não deixe de apreciar o suco da mangaba, feito na hora.

Mangaba

A segunda dica é o custo/benefício do bar e restaurante do Maroto, com os sabores preparados pela Dona Inês e o bom atendimento da Camila. Os pratos são servidos ao preço único de R$ 15 e o cliente pode pedir bis sem nenhum acréscimo no bolso. Vale a pena apreciar o sabor da moqueca de Dourado.

Do segundo andar do tradicional mercado Antônio Franco, quatro restaurantes em cada ponta do estabelecimento fazem dali um agradável espaço de encontro privilegiado à beira do rio Sergipe. Vale a pena curtir e clicar os arcos de cada ponta do mercado, além de ver um pouco do cotidiano daquele espaço. O relógio ao centro dos mercados é um dos cartões-postais da cidade que se verticaliza.

Cores e gostos

Caso queira uma comida mais elabora com pitadas de chefe, suba a escadaria do lado direito do mercado e se deparará com o restaurante Caçarola. O restaurante decorado com artesanato sergipano, simples, mas com boa cozinha com pitada popular de Meg Lavigne agrega valor aos pratos pelos nomes bem sugestivos, a exemplo do Camarão de Cueca (R$ 45 a R$ 67), Galinha de Mulher Parida.

Peixada do Maroto

A dica de sobremesa são o Véia Fogosa (sorvete de tapioca com calda de doce de caju), a Moça Virgem (sorvete de tapioca com calda de banana flambada) e o Negão Gostoso (pudim de chocolate). Durante a semana, o restaurante funciona com um buffet a quilo e oferece poucas opções à la carte.

Tradição
Personalidades como o Seu Careca

Fotos: Sílvio Oliveira

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Comentários
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Alex Sandes
04/08/2017 às 10:02
Gosto bastante dos centros das cidades. São onde fervem os cotidianos de um povo, juntamente com os mercados. Parabéns. Gostaria de ver o centro de Aracaju vendido pelas agências, mas ainda não acontece
Silvio Oliveira
04/08/2017 às 10:07
Alex, gosto dos seus comentários. Realmente as agências e os guias precisam olhar mais para o centro de Aracaju, cheio de histórias, personagens e sergipanidade
Douglas
03/08/2017 às 13:31
O governo do Estado deveria dar função turística ao Edifício Estado de Sergipe, o "Maria Feliciana". Ele está quase em desuso e a criação de um observatório do 28° andar (último) de onde se tem uma privilegiada visão da cidade acompanhado de restaurantes, Memorial de fotos e venda de produtos artesanais nos andares inferiores traria uma nova atração ao Centro.
Silvio Oliveira
04/08/2017 às 10:06
Douglas, realmente seria uma boa ideia. O edifício Maria Feliciana é um símbolo do centro de Aracaju e até de Sergipe

Silvio Oliveira

Jornalista, especialista em Gestão da Comunicação e responsável pela fan page Tô no Mundo. Escreve sobre Turismo para o Portal Infonet desde 2009. Atuou em jornais, a exemplo do Correio de Sergipe e cadernos especiais do Cinform, além do Portal F5 News. Passou por Assessorias de Comunicação e Agências de Notícias do Governo de Sergipe, Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe/ Projeto Mar de Sergipe e Alagoas e Prefeitura de Aracaju.
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