Santana do São Francisco (SE): Das mãos, a obra de arte
São mais de dez ateliês espalhados pela cidade
05/04/2018  09:11


Das maõs, a obra de arte

Do barro cru retirada do solo sergipano, artesãos da cidade ribeirinha de Santana do São Francisco mantêm o oficio de moldar vagarosamente a matéria-prima até transformar o bruto em sensíveis obras de arte.

Santana do São Francisco, cidade localizada à beira do rio São Francisco, outrora chamada de Carrapicho, diuturnamente mantém vivas as tradições da confecção do artesanato e dos utensílios em barro. De uma pequena população de mais de 7 mil habitantes, a Associação de Artesãos do município estima que 70% dos moradores trabalham na cadeia produtiva do artesanato, desde a retira do barro, o transporte, o fabrico, a queima, a pintura e a comercialização.

A igreja devotada a Nossa Senhora Santana na pequena cidade de Santana do São Francisco – dai o seu nome –  é o centro do povoamento à beira-rio, mas a construção é coadjuvante na história de um secular ofício: transformar o barro em obras de arte, exportadas e vendidas em grandes lojas, galerias e vitrines pelo mundo à fora.

Igreja ao centro do vilarejo

Rústicos e tradicionais, são mais de 10 ateliês espalhados pelas poucas ruas de Santana.

A arte inicia com a retirada do barro cru e comercializado para os artesãos. Nos ateliês, o maquinário é simples, construído com madeira e que funciona à tração dos pés de cada artesão. Um tablado circular na parte inferior, tracionado pelos pés, faz movimentar um eixo da parte superior que, com as mãos, os artesãos moldam vasos, conjuntos de cozinha, além de estruturas que depois passam por lapidação e ganham feições e cores. Os vasos e as molduras ainda em cor escura são transportados para os fornos e são queimados para liberar o oxigênio, ganhando consistência e uma coloração mais clara.

Capilé é um dos mais visitados

Conta Wilson Capilé, artesão de um dos mais visitados ateliês da cidade, que o dom aconteceu hereditariamente, no caso dele, aprendeu com os primos, mas que os pais trabalhavam na comercialização das peças destinadas a outros municípios sergipanos, a exemplo de Tobias Barreto e Propriá. “As imagens sacras, tanto do catolicismo como do candomblé, são as mais procuradas, mas produzo de tudo”, diz ele, moldurando em segundos um pequeno vaso.

Pés que movimentam o fabrico da arte

Capilé, primo do conhecido artista Beto Pezão, lembra com saudosismo quando fez uma estátua do deus grego Zeus e foi vendida para um turista. “Não venderia mais, se estivesse comigo. Se pudesse deixaria na minha casa. Uma outra foi um cavalo de mais de 2m de altura, que demorei a se desapegar e vender”, conta ele, ao dizer que o preço das peças variam pelo tamanho, pela qualidade e pelos detalhes da obra. Ele recebe em seus ateliê turistas e comerciantes e faz uma visita 

Obras de arte

por todo o estabelecimento, demostrando desde a confeção a queima das peças.

Na mesma rua do Ateliê fica um dos depósitos de arte da cidade, onde dezenas de atravessadores adquirem as peças para vender nos centros de turismo. “Venho aqui toda a semana e já comercializo há 35 anos na ponte de Propriá. São bordados, cerâmicas, personagens”, diz Rosileide Bento Viera, comerciante.

Obras de arte

Despacho de bagagem 

Em Santana do São Francisco também fica um mercado de artesanato, tipo uma central de abastecimento, onde mais de 68 artesãos comercializam os produtos para todo o país e para o exterior. Segundo Wellington Souza, o Noé, que confecciona e vende somente peças de aquário, são comercializados mais de 80 jogos por semana no centro, ao preço de R$ 2 a R$ 80, a depender do tamanho.

Ele comenta que as peças maiores deram uma caída nas vendas por conta da política de pagamento de despacho de bagagem pelas companhias aéreas. “Atrapalhou muito as companhias aéreas cobrar pelo despacho de bagagem. Muitos turistas não querem mais levar as peças”, afirma. 

Queima dos objetos

No Centro de Artesanato de Santana do São Francisco não demora a chegar caminhões que são carregados pelos trabalhadores e deixam a localidade com obras que vão adornar cozinhas, salas, banheiros, escritórios por todo o mundo. São mais de 800 peças vendidas por semana lá, além de outras comercializadas nos próprios ateliês dos artistas.  Vale a pena conhecê-lo. Afinal, adquirir uma peça é manter viva a história e fazer girar uma econômica que mexe com toda a cidade.

Dicas de viagem

  • Fornos à lenha

    O ateliê de Capilé fica na rua principal da cidade, logo depois da igreja de Santana. O telefone do artista é o 79 98873 6997. Há também uma possibilidade de fazer a visita aos ateliês e ver a queima das peças

  • Rio São Francisco

    Se tiver passeando pela região, vale a pena conhecer também a Vila Operária da fábrica de tecidos Peixoto, um povoamento de mais de 100 anos que até hoje mantém tradições únicas. As casas são pintadas em branco e azul e lá parece que o tempo parou, tamanha às tradições que são observadas, a exemplo do jogo de futebol na várzea, do vendedor de picolé, da soneca em baixo da árvore.

  • Caso queira se hospedar na região, consulte o Privê Rio Belo, situado na estrada Neópolis/ Betume. As diárias com café da manhã para duas pessoas variam de R$ 200 ou para 5 pessoas, R$ 400, a depender se é o chalé completo acoplado com dois apartamentos. As reservas podem ser feitas diretamente no site do estabelecimento  http://priveriobelo.com.br/ ou através dos telefones (+55 79) 99902 0005 / 99972 3925 / (82) 98176-9004 priveriobelo@gmail.com. O local também é aberto para almoço e eventos fechados.

  • Passeios

    Há também passeios pelo rio São Francisco no catamarã Olímpio Tour até a prainha Rio Belo e panorâmica pelas cidades ribeirinhas. Saiu com, no mínimo, 20 tripulantes e custa R$ 50. Há também a opção de só realizar o passeio até a praia ao custo de R$ 30. A consumação é a parte e dispõe de um cardápio com um bom custo/ benefício, a exemplo de refrigerantes e cervejas no valor de R$ 4 e pratos que variam de R$ 5 a R$ 20.

  • Também é oferecido uma lancha para, no máximo, dez pessoas, alugada por R$ 1200 e que vai até a foz do São Francisco. É permitido o turista levar sua própria bebida. O passeio pode ser consultado através dos telefones 79 99823 -9662. Grupos terão valores e negociações especiais.

Gastroterapia


O ensopado do robalo com camarão do Privê Rio Belo é um dos pratos mais pedidos e acompanha a farofinha d’água saofranciscana, com molho vinagrete, arroz e, se preferir, solicite outros acompanhamentos. Com gosto apurado dos temperos verdes e do coco (a solicitar ou não), o ensopado pode ser pedido sem pestanejar. Há também uma carta de sobremesas que não deve ser desprezada, como o pudim de coco com frutas da terra e a mousse de maracujá com geleia. Pode entrar em contato através do endereço eletrônico ou através dos telefones (+55 79) 99902 0005 / 99972 3925/ (82) 98176-9004  e do email priveriobelo@gmail.com.

Obras de arte
Robalo ao molho de ervas do Privê
Surubim 
Mousse de maracujá com geleia

Fotos: Silvio Oliveira

*Viagem realizada a convite do Privê Rio Belo e Catamarã Olímpio Tour



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Silvio Oliveira

Jornalista, especialista em Gestão da Comunicação e responsável pela fan page Tô no Mundo. Escreve sobre Turismo para o Portal Infonet desde 2009. Atuou em jornais, a exemplo do Correio de Sergipe e cadernos especiais do Cinform, além do Portal F5 News. Passou por Assessorias de Comunicação e Agências de Notícias do Governo de Sergipe, Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe/ Projeto Mar de Sergipe e Alagoas e Prefeitura de Aracaju.
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