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06/04/2011 - 07:45
Ganhar produtos de graça vira febre na internet
Hoje existem diversos tipos de páginas especializadas em dar dicas de como conseguir algum produto gratuito de empresas

(Foto: arquivo pessoal)
Quem não gosta de ganhar um brinde de presente? Em diversos lugares que vamos como supermercados, centro da cidade, sempre tem alguém distribuindo algum produto promocional. Mas é na internet que os aficionados se multiplicam. Hoje existem diversos tipos de páginas especializadas em dar dicas de como conseguir receber algum produto ou brinde de empresas. Em casa, os “brindeiros” como são chamadas as pessoas que gostam de receber brindes podem conseguir desde produtos de maquiagem, produtos eletrônicos como câmeras digitais, temperos, ração para animais, e pasmem até mesmo hóstias ou mesmo um autógrafo de um artista famoso como Daniel Radcliffe que interpreta o bruxo Harry Potter no cinema.

Para se ter uma ideia existem sites, blogs e comunidades em redes sociais somente sobre o tema. Apenas no Orkut, são mais de cem. Um dos blogs mais populares, o "Amostras grátis, brindes free", possui cerca de 19 mil brindeiros. Já no portal “Amostras e Brindes Grátis”, leitores postam, orgulhosos, os brindes recebidos.

As páginas geralmente informam as empresas que estão distribuindo os brindes e explicam cada passo de como conseguir ganhar o objeto de desejo. A editora de um site com conteúdo para internet Luiza Luchi de 26 anos conta que não sabia como ganhar os brindes até encontrar um site especializado. “Depois que eu vi esse site comecei a participar de promoções. Tem muita coisa que você ganha sem precisar somente com o intuito de participar de promoções. Eu sempre participo  para ganhar algo que eu vou utilizar. Já ganhei, por exemplo, um sabão líquido e gostei tanto que agora eu só compro desse produto”, revela.

A criadora do site “Amostras e Brindes Grátis”, Camila Almeida conta que adora experimentar os produtos, mas que só pede aquilo que realmente vai utilizar.

“Fizemos uma pesquisa e a maior parte das pessoas pedem somente o que vão usar, mas um pequeno percentual pede qualquer coisa. Desde guias de viagens para lugares que não vão e nem tem vontade de ir. Uma vez um membro da nossa comunidade no Orkut disse que recebeu amostras de hóstias de todos os tamanhos. Todo mundo da comunidade reclamou com ele, porque não é justo, a empresa gasta um dinheiro para enviar a amostra para ele, mas ele nunca na vida vai encomendar hóstias”, conta.

Camila fala que já pediu um medidor de glicose digital, desses que são vendidos em farmácias por cerca de R$ 100 e recebeu o produto. A criadora do site disse que inclusive a pessoa pode até reduzir os gastos dentro de casa com os produtos adquiridos.

“Casei há um ano e ganhei muita coisa em promoções como dvd, grill elétrico, depurador de ar, microondas, batedeira, liquidificador, espremedor de frutas, secador de cabelo profissional, e muitas outras coisas. O problema é que ganhar em promoções requer uma dedicação muito grande, porque você tem que buscá-la, escrever frases criativas, conseguir amigos para a promoção, algumas vezes ter que pedir aos amigos que votem na sua foto, ou entrem em páginas de sites de redes sociais da empresa e principalmente tem que monitorar as fraudes. Isso porque eu já participei de promoções que no final percebi que não eram honestas”, relata.

A psicóloga Edel Ferreira (Foto: Portal Infonet)
Psicóloga

De acordo com a presidente do Conselho Regional de Psicologia de Sergipe, Edelvaisse Ferreira, os atos repetitivos e originados na mente do indivíduo e não por influências ou imposições externas, aos quais o indivíduo não consegue reagir, são considerados clinicamente como compulsivos.

 

"Isso é diferente da 'compulsão' descrita no senso comum, pois que aquela provoca angústia e desconforto, embora se destine a trazer alívio para a tensão ou a ansiedade, enquanto esta última (a do senso comum), descreve apenas um comportamento que se repete inúmeras vezes, prazerosamente.


Edel como é conhecida disse que quando um ato repetitivo nasce de variáveis externas, de um apelo social ou influência de um grupo ao qual se deseja pertencer por identificação, e a sua realização não provoca angústia e sim satisfação prolongada, não se pode considerar o transtorno obsessivo-compulsivo.

 

"Alguém que tenha uma grande carência afetiva, por exemplo, pode tentar 'compensar' essa carência tornando-se um colecionador – de brindes, de latinhas de refrigerante, de miniaturas... – e cada exemplar adquirido se torna motivo de satisfação. Quando essa satisfação vem de pequenos objetos gratuitos, seja qual for a natureza dos 'brindes', parece ainda mais interessante, pois os objetos se apresentam como uma conquista pela qual não se teve que 'pagar'. Ou seja: do mesmo modo que se não se compra carinho e atenção, também não se compram os brindes – e eles trazem uma sensação de completude que não seria experimentada de outra forma", explica a psicóloga.

 

Alguns brindeiros se vangloriam de conseguir itens teoricamente difíceis de se ganhar, sobre isso Edel conta que os brindes também podem significar troféus para os 'vitoriosos' que conseguirem os itens mais difíceis ou limitados.

 

"Isso traz admiração dentro de um grupo que valorize tal comportamento, fazendo com que a pessoa se sinta vencedora (mesmo que apenas nesse setor). É importante que o indivíduo se perceba capaz de realizar algum 'grande feito', algo que possa ser motivo de admiração, pois isso mantém alta a sua auto-estima", afirma.

 

Mas há um alerta, de acordo a psicóloga, esse tipo de hábito pode, sim, gerar certa dependência e tornar-se uma obsessão. "Se um colecionador de brindes já não consegue resistir à possibilidade de obter determinado objeto e isso o impede de seguir sua rotina, interferindo negativamente em sua vida (desde o sono até o convívio familiar e social), então é hora de procurar ajuda psicológica antes que se desenvolva um transtorno, produzindo angústia ao invés de satisfação", finaliza.

 

Por Bruno Antunes

 

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