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08/12/2011 - 20:42
Homenagem a Conceição acontece com lavagem a escadaria
Esse ano, o ritual da lavagem comemora 29 anos

A mãe de santo Angélica e o bispo Dom Henrique (Fotos: Portal Infonet)

Nesta quinta-feira, 8, dia em que se comemora a santa padroeira de Aracaju, Nossa Senhora da Conceição, aconteceu a tradicional lavagem das escadarias da Catedral Metropolitana. O ritual conta com a participação de adeptos da religião católica e afro-brasileira, que no sincretismo afro, Nossa Senhora da Conceição é sincretizada com o orixá Oxum.

Esse ano, o ritual completa 29 anos, sendo criado por cerca de sete jovens. Dentre eles, estavam o professor e artista plástico sergipano Otávio Luiz Cabral. “Essa festa já é um patrimônio cultural de Sergipe. Tudo começou com uma promessa minha e de uns amigos. Prometemos que se passássemos no vestibular iríamos lavar as escadarias da igreja. Após fazer a promessa, eu passei na universidade juntamente com uns amigos e decidimos cumprir a promessa. Com o tempo, a mãe Angélica decidiu tomar a frente da homenagem e enfrentou a sociedade buscando espaço, mas a comemoração é de todas as religiões”, comemora.

O artista plástico Otávio Luiz, um dos criadores da lavagem

A concentração dos organizadores e integrantes de alguns terreiros de Sergipe ocorreu na Colina do Santo Antônio e o cortejo formado por seguidores do Candomblé e mães de santo saiu da Colina em direção a Igreja matriz da cidade.

A lavagem teve início com a chegada do cortejo e contou com a presença de fiéis das duas religiões que foram prestar uma homenagem a santa católica. Mas por uma determinação da igreja, desde o ano de 2010 não é permitida à entrada dos adeptos das religiões afro-brasileira na Catedral aracajuana para realizar a lavagem.

O Bispo Auxiliar de Aracaju, Dom Henrique Soares não quis polemizar a situação, mas afirmou que a lavagem será permitida, mas que a catedral não pode ser utilizada em cultos não-cristãos. “Eles podem vim e lavar a parte externa, mas entrar dentro da igreja é proibido para quem não é cristão e batizado na igreja católica. Cada coisa em seu lugar”, reafirma Henrique.

Fiéis prestigiam a lavagem das escadarias

Mesmo com a proibição, o ritual foi feito e realizado nos degraus até a entrada da igreja. Os degraus foram lavados e as flores que estavam nas jarras com a água de cheiro foram distribuídas entre os participantes. A presidente da Comissão de Terreiros e Centros de Umbanda de Sergipe, Angélica de Oliveira, comentou sobre a discriminação que os integrantes do candomblé sofrem. “Ainda sofremos muito nesses 29 anos de lavagem. As pessoas não acreditam no diálogo e na aproximação. Dom Henrique não aceita que somos cristãos e por isso ele está barrando nossa entrada na igreja. So poderemos entrar se for um evento organizado pela igreja catolica”, lamentou a ialorixá Angélica.

Por Aisla Vasconcelos

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