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| Banho é probido nos lagos artificiais da Orla de Atalaia (Foto: Portal Infonet) |
Os lagos artificiais da orla de Atalaia atraem o olhar e atenção de quem passeia pela Orla de Atalaia. Construídos em 2007 para integrar o projeto de paisagismo e revitalização do local, os lagos, um com 2 mil m², outro com 25 mil m² e o último com 30 mil m², são considerados um dos principais cartões-postais de Aracaju. O que muitos não sabem é que apesar da beleza, as águas dos lagos artificiais são impróprias para o banho.
O Portal Infonet teve acesso exclusivo a um laudo da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), realizado no mês de março, que comprova a tese. De acordo com uma análise feita a partir de amostras coletadas em vários pontos dos lagos, os índices apresentados superam os níveis toleráveis de coliformes fecais, comprovando o fato de que aquelas águas são impróprias para atividades de natação e mergulho.
Órgãos estão no impasse quanto à competição
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| Laudo da Adema comprova os altos índices de coliformes fecais nos lagos |
O índice máximo considerado tolerável para tais atividades é de 1000 coliformes fecais/100ml de água. Dos seis pontos dos lagos analisados, cinco ultrapassaram o nível máximo e apenas um ficou abaixo. O mais preocupante é o ponto situado ao lado do kartódromo Emerson Fittipaldi, onde o índice atinge 22.000 col/100ml.
O médico sanitarista e professor de biologia, Almir Santana, esclarece que o contato primário com aquela água propicia o contágio das chamadas doenças de veiculação hídrica. “Ao ingerir água contaminada, qualquer pessoa pode contrair doenças como hepatite A, gastroenterites, febre tifoide e cólera. Ainda há o perigo de pegar esquistossomose, ascaridíase e outras”, adverte o médico.
Segundo informações da página oficial da Adema, a empresa é responsável por fazer uma avaliação qualitativa e quantitativa da presença dos poluentes no meio ambiente e direcionar as ações de licenciamento ambiental, bem como informar sobre a qualidade atual da natureza no Estado. Também são atribuições da empresa, monitorar os níveis de contaminação e condições de balneabilidade nos lagos artificiais e naturais da Atalaia Velha.
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| Médico Almir Santana alerta para os perigos do contato com água contaminada |
Mesmo com todas estas obrigações, a assessoria de comunicação do órgão, negou a existência do laudo obtido pelo Portal que atesta a qualidade da água dos lagos da orla de Atalaia. “A Adema não realiza estudos em lagos artificiais, somente em águas para banho, como por exemplo, as praias”, afirmou a assessoria, reafirmando que não existe nenhum estudo do tipo.
Transtornos
Comerciantes, moradores e freqüentadores da região reclamam da sujeira ao redor dos lagos. De acordo com eles, em alguns pontos o mau-cheiro toma conta. “A moita onde ficam os patos está cheia de ovos podres e dejetos dos animais. O odor de urina também é forte, pois por falta de banheiros químicos, certas pessoas fazem em qualquer lugar”, reclama um comerciante que preferiu não se identificar.
Assim como o comerciante, outra proprietária de lanchonete que preferiu não se identificar, diz ter prejuízos. “Os clientes falam do mau-cheiro e da falta de limpeza dos lagos. Muitos preferem ir embora para não se sentir incomodados. Dessa forma, o movimento vem diminuindo aos poucos”, conta.
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| Por conta da chuvas escassas, lagos estão secos |
Além da sujeira nos lagos e da falta de banheiros, a insegurança também gera clima de insatisfação entre os moradores. Flávia Santos, que mora no local há 10 anos, testemunhou casos de assalto diversas vezes. “Pelo dia tudo é tranqüilo, mas a noite os bandidos se aproveitam do menor movimento para abordar as pessoas e praticar pequenos roubos”, conta.
Maria Oliveira que caminha pelo local toda a tarde, lamenta a retirada das fontes luminosas instaladas nos lagos. “A paisagem aqui é muito bonita e com as fontes ficava ainda melhor. Todos se encantavam quando passavam por aqui. Agora que elas foram retiradas, o lago parece não ter vida durante a noite, sem falar que contribui para a falta de iluminação”, desabafa.
Manutenção
O órgão responsável pela manutenção do local é a Secretaria de Estado da Infraestrutura e do Desenvolvimento Energético Sustentável (Seinfra). Em conversa com o Portal Infonet, o gerente de operações da orla marítima, Elder Gonçalves, esclarece que os lagos são abastecidos por canais que trazem águas da chuva escoadas dos estacionamentos da orla.
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| Equipes da Seinfra fazem limpeza no local |
“Em época de pouca chuva, o volume de água dos rios diminui por conta do não abastecimento dos canais pluviais. Com isso, lama e pedras ficam expostas, causando a impressão de sujeira. Estes canais também são os responsáveis pelos altos índices de coliformes fecais, pois trazem sujeira de outras áreas da orla”. Ainda de acordo com ele, a secretaria realiza a limpeza constante do local através de uma empresa terceirizada de nome BTS serviços. “Somos responsáveis pelo paisagismo, pela limpeza das áreas civis em terra e pela retirada do lixo.
Um dos funcionários da empresa, José Carlos dos Santos, que fazia a limpeza do local no momento em que a equipe do portal apurava informações, garantiu que os serviços de manutenção são feitos constantemente. “Todos os dias estamos aqui para cuidar da área. Não é nosso dever realizar a limpeza dentro dos lagos, mas a ilhota que abriga os patos recebe cuidados a cada 15 dias”, conta.
Quantos as fontes luminosas, o órgão explica que elas foram desativadas por conta do vandalismo. “Vândalos invadiam a área e destruíam o equipamento, jogando pedras e outros objetos. Até banho eles tomavam depois de que arrombavam a grande de proteção. Fazíamos a recuperação, mas infelizmente as pessoas não respeitavam. O jeito foi desativar as fontes para que as pessoas tomassem consciência”, justifica.
Por Verlane Estácio e Raquel Almeida