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22/05/2012 - 09:10
Lagos impróprios para banho
Dos seis pontos analisados, cinco estão poluídos
Banho é probido nos lagos artificiais  da Orla de Atalaia (Foto: Portal Infonet)

Os lagos artificiais da orla de Atalaia atraem o olhar e  atenção de quem passeia pela Orla de Atalaia. Construídos em 2007 para integrar o projeto de paisagismo e revitalização do local, os lagos, um com 2 mil m², outro com 25 mil m² e o último com 30 mil m², são considerados um dos principais cartões-postais de Aracaju. O que muitos não sabem é que apesar da beleza, as águas dos lagos artificiais são impróprias para o banho.

O Portal Infonet teve acesso exclusivo a um laudo da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), realizado no mês de março, que comprova a tese. De acordo com uma análise feita a partir de amostras coletadas em vários pontos dos lagos, os índices apresentados superam os níveis toleráveis de coliformes fecais, comprovando o fato de que aquelas águas são impróprias para atividades de natação e mergulho.

Órgãos estão no impasse quanto à competição

Laudo da Adema comprova os altos índices de coliformes fecais nos lagos

O índice máximo considerado tolerável para tais atividades é de 1000 coliformes fecais/100ml de água. Dos seis pontos dos lagos analisados, cinco ultrapassaram o nível máximo e apenas um ficou abaixo. O mais preocupante é o ponto situado ao lado do kartódromo Emerson Fittipaldi, onde o índice atinge 22.000 col/100ml.

O médico sanitarista e professor de biologia, Almir Santana, esclarece que o contato primário com aquela água propicia o contágio das chamadas doenças de veiculação hídrica. “Ao ingerir água contaminada, qualquer pessoa pode contrair doenças como hepatite A, gastroenterites, febre tifoide e cólera. Ainda há o perigo de pegar esquistossomose, ascaridíase e outras”, adverte o médico.

Segundo informações da página oficial da Adema, a empresa é responsável por fazer uma avaliação qualitativa e quantitativa da presença dos poluentes no meio ambiente e direcionar as ações de licenciamento ambiental, bem como informar sobre a qualidade atual da natureza no Estado. Também são atribuições da empresa, monitorar os níveis de contaminação e condições de balneabilidade nos lagos artificiais e naturais da Atalaia Velha.

Médico Almir Santana alerta para os perigos do contato com água contaminada

Mesmo com todas estas obrigações, a assessoria de comunicação do órgão, negou a existência do laudo obtido pelo Portal que atesta a qualidade da água dos lagos da orla de Atalaia. “A Adema não realiza estudos em lagos artificiais, somente em águas para banho, como por exemplo, as praias”, afirmou a assessoria, reafirmando que não existe nenhum estudo do tipo.

Transtornos

Comerciantes, moradores e freqüentadores da região reclamam da sujeira ao redor dos lagos. De acordo com eles, em alguns pontos o mau-cheiro toma conta.  “A moita onde ficam os patos está cheia de ovos podres e dejetos dos animais. O odor de urina também é forte, pois por falta de banheiros químicos, certas pessoas fazem em qualquer lugar”, reclama um comerciante que preferiu não se identificar.

Assim como o comerciante, outra proprietária de lanchonete que preferiu não se identificar, diz ter prejuízos. “Os clientes falam do mau-cheiro e da falta de limpeza dos lagos. Muitos preferem ir embora para não se sentir incomodados. Dessa forma, o movimento vem diminuindo aos poucos”, conta.

Por conta da chuvas escassas, lagos estão secos

Além da sujeira nos lagos e da falta de banheiros, a insegurança também gera clima de insatisfação entre os moradores. Flávia Santos, que mora no local há 10 anos, testemunhou casos de assalto diversas vezes. “Pelo dia tudo é tranqüilo, mas a noite os bandidos se aproveitam do menor movimento para abordar as pessoas e praticar pequenos roubos”, conta.

Maria Oliveira que caminha pelo local toda a tarde, lamenta a retirada das fontes luminosas instaladas nos lagos. “A paisagem aqui é muito bonita e com as fontes ficava ainda melhor. Todos se encantavam quando passavam por aqui. Agora que elas foram retiradas, o lago parece não ter vida durante a noite, sem falar que contribui para a falta de iluminação”, desabafa.

Manutenção

O órgão responsável pela manutenção do local é a Secretaria de Estado da Infraestrutura e do Desenvolvimento Energético Sustentável (Seinfra). Em conversa com o Portal Infonet, o gerente de operações da orla marítima, Elder Gonçalves, esclarece que os lagos são abastecidos por canais que trazem águas da chuva escoadas dos estacionamentos da orla.

Equipes da Seinfra fazem limpeza no local

“Em época de pouca chuva, o volume de água dos rios diminui por conta do não abastecimento dos canais pluviais. Com isso, lama e pedras ficam expostas, causando a impressão de sujeira. Estes canais também são os responsáveis pelos altos índices de coliformes fecais, pois trazem sujeira de outras áreas da orla”. Ainda de acordo com ele, a secretaria realiza a limpeza constante do local através de uma empresa terceirizada de nome BTS serviços. “Somos responsáveis pelo paisagismo, pela limpeza das áreas civis em terra e pela retirada do lixo.

Um dos funcionários da empresa, José Carlos dos Santos, que fazia a limpeza do local no momento em que a equipe do portal apurava informações, garantiu que os serviços de manutenção são feitos constantemente. “Todos os dias estamos aqui para cuidar da área. Não é nosso dever realizar a limpeza dentro dos lagos, mas a ilhota que abriga os patos recebe cuidados a cada 15 dias”, conta.

Quantos as fontes luminosas, o órgão explica que elas foram desativadas por conta do vandalismo. “Vândalos invadiam a área e destruíam o equipamento, jogando pedras e outros objetos. Até banho eles tomavam depois de que arrombavam a grande de proteção. Fazíamos a recuperação, mas infelizmente as pessoas não respeitavam. O jeito foi desativar as fontes para que as pessoas tomassem consciência”, justifica.

Por Verlane Estácio e Raquel Almeida

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