![]() |
| Triátlon em Sergipe (Foto ilustrativa : Semel) |
Orgãos como a Federação de Triátlon de Sergipe (Fetrise), Secretaria de Estado da Infraestrutura e do Desenvolvimento Energético Sustentável (Seinfra), Secretaria de Turismo (Setur), Instituto Parreiras Horta (IPH) e Oceanário enfrentam um verdadeiro embate quando o assunto é a 2ª Etapa da Copa Brasil de Triathlon. A competição foi realizada recentemente nos lagos artificiais da orla de Atalaia, apesar dos altos índices de coliformes fecais impedirem atividades de banho, mergulho e natação no local.
Ainda assim, comprovadamente impróprio para tais atividades, um dos lagos foi palco de treinamento de equipes e realização da etapa da competição que foi seletiva para o mundial da categoria. O evento foi realizado pela Fetrise, com chancela da Confederação Brasileira de Triátlon (CBTri) e apoio de órgãos governamentais do estado e município de Aracaju.
O médico sanitarista e professor de biologia, Almir Santana, colunista deste portal, ao passar pelo local, questionou os coordenadores sobre a realização da competição. De acordo com ele, os organizadores informaram não ter autorização da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), mas do ITPS – Instituto de Tecnologia de Sergipe e IPH – Instituto Parreiras Horta. “Mantive contato com a Adema, que prontamente fez análises da água do lago da orla, confirmando a minha preocupação: é alto o número de coliformes fecais. Também conversei com os técnicos do ITPS e IPH, que informaram não ter sido consultados sobre a realização de uma competição em lago impróprio para o banho”, expôs.
Em nota, um dos organizadores do evento, Lailson Melo, confirmou ter feito os exames nos laboratórios. “Todo processo foi acompanhado pelos órgãos autorizadores do evento. Entre eles, a SETUR (responsável pela gerência da orla), Seel e Projeto Tamar que é responsável pelo acompanhamento dos peixes nos lagos. O ITPS e IPH não tem nada a ver com a autorização, apenas contribuíram nos laudos”, reafirma.
A assessoria de comunicação da Fundação de Saúde Parreiras Horta (FSPH), esclareceu em nota que a FETRISE solicitou uma análise de água, no dia 06 de março, relativa a coleta de material na Chácara Vida, localizada no povoado Mosqueiro, próximo ao Sítio Terêncio, portanto, sem relação nenhuma com os lagos da orla. “Informamos que a água coletada no Mosqueiro foi considerada satisfatória. Este laudo não possui nenhuma relação com o local da competição, as análises do Lacen são consideradas orientativas, não contendo caráter fiscal”, explica a assessora do órgão, Rosângela Cruz.
Em conversa com o Portal Infonet, a auxiliar técnica do Oceanário (representado pelo Projeto Tamar), Aline Castelo, confirmou que o órgão teria autorizado a realização da competição no local. “Damos o nosso parecer com base em um laudo do IPH realizado no mês de janeiro. De acordo com ele, as águas estavam em ótimas condições para a realização de um evento de tal porte. A licença também foi concedida em conjunto com a Setur, por meio da Seinfra”, diz.
O Portal também conversou com o gerente de operações da orla marítima, Elder Gonçalves, que negou ter autorizado a realização do evento. “Não tivemos nada a ver com a competição. Fomos contra a realização da competição, até porque os lagos não foram criados para isso. Tanto é que placas de sinalização foram fixadas no local”, justifica.
|
|
| Almir Santana "tive a sensação de estar vendo atletas nadando em fezes" |
Malefícios
Disse me disse à parte, os perigos do contato com a água contaminada chamam atenção. “Quando vi aquela situação, tive a sensação de estar assistindo atletas nadando entre as fezes. Até por que a presença de um alto índice de coliformes fecais na água indica a presença de fezes humanas e/ou de outros animais”, lamenta o médico Almir Santos.
Em atividades que propiciam a ingestão daquela água, doenças como hepatite A, gastroenterites, febre tifóide e cólera podem ser transmitidas diretamente. Soma-se ainda, a transmissão indireta de esquistossomose, ascaridíase e outras.
Para Almir Santos, faltou um entendimento maior entre os órgãos que autorizaram a competição. “O poder público deve concentrar mais atenção em assuntos que envolvam esportes e lagos da orla. Faltou comunicação nesse sentido e infelizmente pessoas que não tinham nada a ver, foram expostas à tamanhos perigos”, conclui.
Por Verlane Estácio e Raquel Almeida