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| Patrícia Ayres: luta pela identificação do cadáver do filho (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet) |
Nesta sexta-feira, 13, está completando exatos quatro meses da peregrinação da família do adolescente Jonatha Carvalho dos Anjos, 16, cujo corpo foi encontrado em circunstâncias misteriosas às margens de uma rodovia no município de Neópolis, 11 dias depois que ele desapareceu. O corpo da vítima foi liberado pelo Instituto Médico Legal sem identificação oficial, por reconhecimento da família, para quem o adolescente foi enterrado como indigente.
E, nestas condições, permanece a declaração de óbito, uma morosidade fruto de informações desencontradas na própria estrutura da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP). Para identificá-lo, foi necessário exame de DNA, realizado em Brasília. O diretor do Instituto Médico Legal (IML), Raimundo Melo, não soube precisar a data, mas informou que já tem muito tempo que o resultado do DNA chegou ao Instituto Médico Legal, em Aracaju.
Mas na SSP ninguém sabe informar o motivo de tanta demora para que a família providenciasse, em cartório, a mudança na declaração de óbito de forma que houvesse a efetiva identificação da vítima. O diretor do IML revela que não cabe àquele instituto adotar as providências. “O resultado do exame foi encaminhado à Delegacia, que pediu o laudo. E foi encaminhado assim que chegou aqui”, informa o diretor do IML. “O IML não pode emitir outra declaração de óbito, a família tem que ir ao cartório apresentar o resultado do exame de DNA para que o cartório faça a modificação na declaração de óbito”, esclarece o diretor do IML.
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| Reunião na SSP na quarta: solução para entrave |
Mas, por falta desta orientação, a família continuou a peregrinar em busca do documento para validar o atestado de óbito, sem saber a quem recorrer. O delegado Jonathas Evangelista, da Coordenadoria das Delegacias do Interior, responsável pelas investigações, confirma que recebeu há algum tempo o documento encaminhado pelo IML, mas esquiva-se de responsabilidade para prestar orientação à família. “O meu papel é receber o resultado para a minha investigação, o IML é quem deve responder”, resumiu o delegado, tentando encerrar a entrevista.
Mas, diante da insistência da reportagem do Portal Infonet, o delegado acabou responsabilizando a família do adolescente pelos transtornos e atropelos. “A família deveria ter me procurado antes, mas ninguém me procurou para pedir cópia do resultado do DNA”.
Surpresa
A mãe do adolescente, Patrícia Ayres, não esconde o desolamento. Mas agora está mais confiante, fruto do encontro que teve na quarta-feira, 11, à tarde com a cúpula da SSP. Até mesmo o secretário João Eloy, segundo revelou Patrícia, teria ficado surpreso quando ficou informado que a família não tinha adquirido ainda o documento para validar o atestado de óbito. “O secretário ficou surpreso quando disse que a família ainda tinha a declaração de óbito sem a identificação”, revela Patrícia Ayres.
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| Jarbas Vasconcelos: investigações complexas (Foto: Arquivo Infonet) |
Após o encontro com a cúpula da SSP, o casal Patrícia Ayres e Rosinaldo Araújo Almeida, pais do adolescente, demonstra-se mais aliviado. “Agora, só queremos que a polícia revele o nome das pessoas que mataram meu filho, vamos aguardar a conclusão do inquérito”, resume Patrícia.
Os pais não têm dúvida que o adolescente foi morto durante uma operação policial desencadeada entre a noite do dia 13 e madrugada do dia 14 de março deste ano, no município de Japoatã, que culminou com a morte de Anderson de Jesus Oliveira, Ricardo André Carvalho Pimentel, conhecido como ‘Fofo’ e Eraldo Santos de Jesus, o ‘Mago’. O trio é acusado de integrar uma suposta quadrilha responsável pelo assassinato do soldado Elder Freitas, crime ocorrido no dia primeiro de março. “A quem acusar se a operação foi realizada por policiais e meu filho estava no carro (ocupado por outros que também morreram em suposto confronto com a polícia)?”, interroga Patrícia.
O delegado Jonathas Evangelista não informou se há indícios quanto à autoria do crime. A promessa é que o inquérito seja concluído nos próximos 20 dias, conforme anunciou o próprio secretário João Eloy, na quarta, 11, após o encontro que teve com os pais do adolescente.
Acompanhamento
Parte das investigações foram acompanhadas pela Comissão de Direitos Humanos da OAB/SE e também pelo Ministério Público Estadual. O presidente da Comissão da OAB/SE, Cláudio Miguel de Oliveira, informou que a OAB/SE acompanhou os depoimentos prestados pelos policiais envolvidos na operação naquele 13 de março e revelou que a Comissão de Direitos Humanos permanecerá atenta, na condição de observadora, até a fase final do inquérito e nos desdobramentos no processo judicial.
O promotor Jarbas Adelino, do Controle Externo da Atividade Policial, informou que o MPE designou o promotor João Rodrigues para acompanhar as investigações. No momento, o Ministério Público, segundo Jarbas Adelino, está aguardando a conclusão das investigações para analisar todos os procedimentos que foram adotados e o que foi produzido na fase de inquérito policial. “É uma investigação complexa, que depende de várias diligências, por isso é necessário aguardar a conclusão do inquérito policial”, informa o promotor Jarbas Adelino.
Por Cássia Santana
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