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09/04/2013 - 08:22
Glória: Obras de artista sergipano são “enterradas”
Falta de incentivo fez com que artista enterrasse suas obras

Escultura do Homem de Lata sobrevive aos efeitos climáticos (Fotos: Portal infonet) 

As obras, ou que restou delas, do artista gloriense Júnior Leônio, estão abandonadas em um terreno localizado no povoado Algodoeiro, em Nossa Senhora da Glória. As esculturas estão lá por falta de local para serem guardadas ou expostas, segundo informou o próprio artista. O lugar, agora denominado “Cemitério das Artes” abriga obras, que embora estejam mal preservadas, são de qualidade e poderiam figurar em respeitadas exposições. Mas, segundo o artista, o município trata mal o seu precioso acervo.

Algumas peças estão instaladas em residências e casas de amigos. Outras foram doadas, inclusive para a Câmara de Vereadores da cidade. Mas as demais foram literalmente enterradas em um local ermo, de maneira que o público fica impossibilitado de admirá-las e compreendê-las, além de tornarem-se reféns de vândalos e da ação do tempo. As esculturas de garças, burros e até do homem de lata, personagem da história de “O Mágico de Oz”, estão se degradando.

Garças: por Junior Leônio

Para compor os trabalhos, Leônio utiliza restos de chapas de metal sem utilidade, descargas velhas de moto e de carro. Durante o processo criativo, ele utiliza temas atuais e particularidades da terra como inspiração. Devido à sua persistência em criar, seu talento foi muitas vezes confundido por loucura pelos seus familiares. Ele conta que teve que procurar ajuda profissional para entender o que lhe ocorria.

“Muitas das minhas obras se perderam com o passar dos anos. Já criei muita coisa bonita e já ganhei prêmios. Com o dinheiro de um deles, inclusive, comprei a minha casa, a que moro até hoje. Minha maior tristeza é ver o meu trabalho se deteriorar. O artista por si só não garante a longevidade de suas obras, é preciso incentivo à cultura para que nossos trabalhos sejam valorizados. Isso é o que espero”, desabafou o artista.

Obras

Junior Leônio "Faltam incentivos. Muitas de minhas obras se perderam"

Uma de suas esculturas, considerada por ele a mais primorosa foi o “Jegue e o Nordestino”, criado a partir de uma descarga de carro, chapas de metal, picaretas, canos e de pedaços de vergalhão. Ele explica que a ideia era retratar o transporte comum das pessoas mais velhas do sertão. Entretanto, a escultura, assim como as demais já não existe mais. Do burro só restou a cabeça, que está fincada em um toco no Cemitério das artes. “Muita escultura se perdeu ou se deteriorou. O Jegue e o Nordestino foi uma inspiração baseada no nosso povo, mas não tive como conservar e nem expô-la, já que não tinha onde e nem como”, lamenta.

Histórico

Em 2000, com o apoio de seu amigo Messias Cordeiro, Diretor do Projeto Luz do Sol, participou de concursos e exposições nacionais, como o III Concurso Nacional de Artes “Arte de viver” da Jansen Cilag, em São Paulo/SP; 1ª Amostra Nacional de Prática em Psicologia, em São Paulo/SP; II Prêmio Arthur Bispo do Rosário, em São Paulo/SP e o VI Festival Nacional de Arte Sem Barreira, em Brasília/DF. Em 2001, participou do 1º Festival de Arte Sem Barreira, em Aracaju/SE e, em janeiro de 2002, realizou a 1ª Exposição “Arte em Ferro”, em Nossa Senhora da Glória.

Escultura compõe o "Cemitério das Artes"

Junior reclama da falta de incentivo para com os artistas do interior. Para ele, faltam políticas públicas de apoio e incentivo.  Atualmente, o artista está a espera de patrocínio para divulgar seu trabalho em exposições pelo Estado e, principalmente, em Aracaju. Contudo, o Secretário da Cultura, Chico Paixão, explicou a Prefeitura já está elaborando projetos e ações voltadas à cultura local. Segundo ele, o projeto “Roda da Leitura”, já reuniu mais de 500 alunos, que participam de uma tarde com leituras. Sobre as obras de Junior Leônio,  o secretário explica que já existe um projeto de revitalização do local onde as esculturas estão.

“Estamos fazendo um projeto de revitalização no local e vamos colocar as obras deste artista. A ideia é de adquirir essas obras e possivelmente comprá-las. Na semana passada  tivemos uma reunião com a secretária de cultura do Estado para discutirmos um projeto de criação do Museu Regional de Nossa Senhora da Glória. A ideia é puxar a rota do turismo para o município”, concluiu Chico Paixão, ao ressaltar que outros projetos de incentivo à cultura estão sendo praticados na cidade.

Por Eliene Andrade

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