Cientistas sociais e políticos, mas principalmente marqueteiros mais ou menos sérios de ocasiões eleitorais têm se debruçado, campanha a campanha, a entender uma das facetas centrais das eleições: como o eleitor escolhe em quem votar? Que critérios utiliza para essa escolha?
As respostas que eles encontram são as mais diversas, mas existem três ideias comuns que são levadas em conta: cada eleição é uma eleição, isto é, temas e preocupações se modificam e elas pertencem a cada momento; quanto mais pobre culturalmente o eleitor, mais ele vota no candidato (indivíduo) e não no projeto (coletivo); a rejeição à classe política é fogo de palha, quando a campanha esquenta estimulada pelo aflorar de paixões, essa rejeição se transforma em engajamento, ou seja, mais cedo ou mais tarde o eleitor vem.
A emoção é da essência do humano. E ela, estimulada para chegar ao patamar das paixões, compromete seriamente o ideal de razão do mesmo ser humano. A capacidade de decidir em ambientes tomados pela emoção fica profundamente comprometida porque a paixão não abre o menor espaço para reflexão, não permite rever o passado e nem apontar perspectivas. O resultado é que decisões com base na emoção vão produzir reflexos danosos mais cedo ou mais tarde. Um dos efeitos colaterais mais certos é a frustração.
Mesmo remando contra a corrente, a coluna propõe um absurdo: que o eleitor utilize o índice de confiança no candidato, o que pode diminuir o risco de errar menos na escolha, ou seja, que o eleitor observe algumas condicionantes reflexivas para escolher em quem vai votar. É uma proposta absurda porque a escolha eleitoral, quase sempre, é tomada pela emoção. A ideia aqui é reduzir o peso da paixão, dedicando-se a avaliar critérios mais concretos de escolha. Há apenas um único e duro compromisso do eleitor: dizer a verdade.
Pergunte-se e responda com sinceridade se o candidato a prefeito que você pensa em votar já foi gestor público ou participa de governos? Sua passagem pela administração – direta ou indiretamente - ajudou a melhorar a vida dos mais pobres ou enriqueceu os mais ricos? Esteve envolvido em escândalos de corrupção? Como seu escolhido tratou os professores, os alunos, as escolas? Como lidou com os médicos, os demais profissionais da saúde, os postos, remédios, hospitais? Como resolveu as greves dos trabalhadores? Ele compra votos diretamente ou através da “contratação” de gente para “trabalhar” na eleição?
Questione-se verdadeiramente ainda se seu candidato isentou os mais ricos de impostos e taxou os mais pobres? Inchou a administração de cargos em comissão? Procure saber quanto ele vai gastar nessa campanha e quem a financia (de onde vem o dinheiro)? O que ele promete agora já prometeu no passado? E cumpriu? O seu candidato a prefeito apóia e/ou participa de governos que massacra professores, profissionais da saúde, servidores públicos, abandona alunos e escolas, gente a morrer nos hospitais, implantou uma segurança que extermina os pobres e protege o patrimônio dos ricos, atacou de morte o meio ambiente? Destrói a cidade entregando-a as construtoras? Na assistência social seu candidato atuou para escravizar e conter os mais os pobres ou libertá-los da miséria? O candidato que você vai votar terá independência para enfrentar os esquemas do transporte, do lixo, das compras viciadas e superfaturadas, dos cartéis de obras, dos cargos em comissão?
E quanto ao seu candidato a vereador? Pergunte-se também quem financia sua campanha? Se já é vereador como ele votou em matérias da educação e da saúde? Seja sincero, o que foi que ele fez na Câmara? Votou de acordo com os interesses da população – da coletividade - ou de acordo com a vontade do prefeito de plantão e dos empresários que o financiam? Será que o vereador que você pensa em votar terá independência para defender os interesses dos mais pobres ou à vontade dos mais ricos?
Faça um exame de sua consciência, seja sincero com você e aplique esse índice de confiança no candidato. Se você tem o mínimo de dúvida nas respostas a essas questões isso é um indício muito forte de seu candidato não merece a menor confiança e vai lhe trair no dia seguinte da eleição. Você pode até insistir com seu candidato, enganando-se conscientemente, mas não terá condições de reclamar depois. O grande problema é que sua escolha errada não vai prejudicar apenas você, mas sua família, seu bairro e toda a cidade. Você, eleitor, é coautor de todas as ações criminosas do candidato que vota e elege.
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