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Infonet José Cristian Góes
 

Plebiscito Popular: vote cinco vezes NÃO!
Começou no sábado e segue até domingo, 9, a coleta de votos para o Plebiscito Popular. Todo o brasileiro, maior de 16 anos, está sendo chamado a se manifestar sobre temas da maior relevância: privatização da
03/09/2007 - 10:38

Começou no sábado e segue até domingo, 9, a coleta de votos para o Plebiscito Popular. Todo o brasileiro, maior de 16 anos, está sendo chamado a se manifestar sobre temas da maior relevância: privatização da Companhia Vale do Rio Doce, o pagamento da dívida externa, os gastos com a energia elétrica e a reforma da Previdência. Em Sergipe mais um tema foi inserido na consulta: a transposição das águas do rio São Francisco. O mote que ganha corpo entre todos é “Vote cinco vezes NÃO!”.

O plebiscito tem a organização da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de diversas entidades da sociedade civil, como CUT, MST, Conlutas, MST, entidades estudantis e muitas outras. Um dos pontos altos dessa mobilização é o tradicional Grito dos Excluídos, uma manifestação da sociedade no dia em que se lembra da Independência do Brasil. Em Aracaju, por uma questão de estratégia, o grito será dado no dia 6, quinta, a partir das 9 horas, na praça General Valadão, no centro.

Se a família, a escola, os partidos, as igrejas, as entidades já não conseguem produzir grandes mobilizações em torno de temas tão importantes, é hora da mídia cumprir uma de suas funções públicas: mobilizar para ação política do cidadão. Neste sentido, pautar durante toda semana, com bons espaços, o plebiscito e o grito é atender o interesse público. Está aí um exemplo concreto de como a mídia pode ser uma aliada fundamental para a educação do povo, a medida que propõe, estimula e pauta, a partir da reflexão crítica, temas vitais para a sociedade.

A primeira pergunta do plebiscito é sobre a privatização da Vale. Em 1997, a Companhia Vale do Rio Doce – patrimônio construído pelo povo brasileiro - foi fraudulentamente privatizada, ação que o Governo e o Poder Judiciário podem anular. A Vale deve continuar nas mãos do capital privado? Esta coluna já, em outras oportunidades, apresentou algumas questões sobre este tema. Talvez uma lida nos textos anteriores, pode ajudar no debate. Leia: Venda da Vale: o crime faz dez anos  e também A Vale tem que ser do povo. Isso é que Vale.

A segunda questão da consulta popular é: o Governo deve continuar priorizando o pagamento dos juros da dívida externa e interna, em vez de investir na melhoria das condições de vida e trabalho do povo brasileiro? Só um dado para compreender melhor esta questão. O Governo Lula, como os outros governos que lhe antecederam, mantém o pagamento de mais de R$ 250 bilhões/ano só de juros da dívida pública. Enquanto isso se diz que falta dinheiro para saúde, educação, reformas agrária e urbana. Ou seja, o Governo tem que suspender imediatamente o pagamento dos juros da dívida para atender as necessidades do povo brasileiro.

A questão seguinte do plebiscito é: você concorda que a energia elétrica continue sendo explorada pelo capital privado, com o povo pagando até oito vezes mais que as grandes empresas? Esta é outra pergunta que merece um sonoro e gigantesco NÃO. Com as privatizações (lembram-se da Energipe?), as tarifas públicas de energia, água, lixo (em alguns casos) têm aumentado muito, retirando das populações pobres o direito humano de ter acesso a luz e água.. Enquanto isso, as grandes empresas pagam tarifas simbólicas, o que representam até oito vezes menos por energia. Quem paga a conta mesmo é a população, principalmente a mais pobre.

A quarta pergunta do plebiscito é sobre a reforma da Previdência: você concorda com uma reforma da Previdência que retire direitos dos trabalhadores/as? Neste exato momento o Governo Lula está discutindo uma nova reforma da Previdência. O que isso significa, na prática, a retirada de mais direitos dos trabalhadores. Foi até criado um tal FNPS – Fórum Nacional de Previdência Social – para legitimar mais um crime contra o povo brasileiro. Enquanto os banqueiros lucram milhões com o Governo, o mesmo Governo quer aumentar a idade mínima de aposentadoria para 65 anos, tanto faz para homens quanto para mulheres, e aumentar mais o tempo de contribuição para se aposentar. Uma vergonha!

E para terminar as perguntas, vem a seguinte questão: você concorda com a transposição das águas dos rio São Francisco? Ora, todos sabemos que o projeto do Governo de retirar água do rio só objetiva atender os grande donos de terras e os poderosos empreiteiros. A transposição do rio São Francisco não vai melhorar em nada a vida dos pobres, pelo contrário. O rio São Francisco precisa urgentemente de revitalização. Nesta questão do Velho Chico não tem intermediação. Assim como as privatizações da Companhia Vale do Rio Doce e das companhias elétricas, da reforma da Previdência, do pagamento dos juros da dívida, a transposição das águas do São Francisco é um crime contra o povo brasileiro.

Não há dúvida: participar do plebiscito é votar cinco vezes NÃO!


José Cristian Góes
cristiangoes@infonet.com.br


Atenção: Todos podem utilizar este e os outros artigos desta coluna, mas precisam respeitar a Lei dos Direitos Autorais, no mínimo, solicitando sua utilização, informando a fonte e dando do devido crédito.

 

Sinceramente, a única pergunta que dá para responder SIM ou NÃO é a última. As demais são todas tendenciosas e exprimem a opinião de quem as elaborou. E isso não é uma forma isenta de se fazer um plebiscito. Aliás, plebiscito para ser isento deve permitir que os eleitores tenham acesso às opiniões de cada lado (favorável ou contrário) para, depois, tomar sua decisão e votar. Do jeito que está, os organizadores deste "plebiscito" deveriam colocar: "nós achamos isso e aquilo. Vocês concordam conosco?" Por isso mesmo, não dá para levar a sério este plebiscito.
Norberto Andrade,

Caro Cristian, o indivíduo que vem a público nos dias de hoje defender e propalar a idéia da re-estatização neste já paquidérmico estado brasileiro, só pode estar com a mentalidade fossilizada no século XIX, quando a tônica da época era capital X trabalho. Rever a privação da Vale , hoje maior mineradora do mundo, que se estivesse não mão do estado poderia estar sendo administrada pelos quadrilheiros e mensaleiros que tomaram de assalto as estatais do Brasil, vide B. Brasil, Infraero, Correios, Petrobrás, Instituto de reseguros do Brasilcaixa e outras tantas que não conseguo escrever por falta de espaço, seria voltar ao século XIX. Daí poderíamos também substituir os carros por carroças e carruagens.
Marcos Aurélio,

Eu acho que a minha resposta é não.
Aline Barreto Silva .,

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Foi repórter de jornais e revista. Trabalhou como assessor do Sintese, da deputada Ana Lúcia e do MPF/SE. Foi diretor de imprensa e secretário de Comunicação da Prefeitura de Aracaju. É ex-presidente e hoje dirigente do Sindicato dos Jornalistas, da ASI e da CUT/SE. É jornalista concursado no INSS e cedido à Câmara dos Deputados (assessor de Iran Barbosa).
 
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