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Marcos Cardoso

Marcos Cardoso é jornalista, autor de "Sempre aos Domingos: Antologia de textos jornalísticos".

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03/06/2012 - 08:38
O ciclo virtuoso da UFS se confirma
A UFS que foi sonhada por idealistas e abnegados hoje se ...

Marcos Cardoso

“É incrível a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer”. A frase atribuída a Caetano Veloso talvez resuma o que tem acontecido com a Universidade Federal de Sergipe, essa jovem senhora de 44 anos recém-completados. Tudo parece conspirar para que o projeto longamente gestado e que virou realidade com atraso no outono de 1968 finalmente amadureça e alcance o objetivo. A UFS que foi sonhada por idealistas e abnegados hoje se materializa pela força da própria grandeza, perseguindo como nunca o papel primordial de distribuir educação gratuita e de qualidade. O modelo de excelência nunca esteve tão próximo de ser alcançado.

Muito se fez em pouco mais de quatro décadas desde que num 15 de maio oficializou-se a incorporação de seis escolas superiores ou faculdades que ministravam 10 cursos. O primeiro reitor foi o médico João Cardoso do Nascimento Júnior. Uma década depois, criaram-se os centros universitários que agruparam os cursos das quatro grandes áreas do conhecimento e substituíram os institutos e faculdades. Logo depois, em 1980, gestão de Clodoaldo de Alencar, outro marco importante: a inauguração do Campus de São Cristóvão. Desde meados da última década, com o plano de expansão, a UFS atravessa novo — e provavelmente mais importante — ciclo virtuoso.

Por isso, o reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho, prestes a encerrar uma produtiva gestão de oito anos à frente da instituição, divide a história da UFS em três momentos: o primeiro foi a inauguração, o segundo foi a construção da cidade universitária e o terceiro momento foi a reestruturação iniciada por ele. “A universidade não recebeu uma grande reestruturação desde quando foi inaugurada. Agora ela passa por uma modificação não só física como de posicionamento, tornando-se uma universidade voltada à inclusão”, afirmou pouco tempo atrás.

Com Josué, uma conjuminância de forças tornaram a UFS melhor e mais respeitada. Depois de um governo desastroso para as instituições federais de ensino superior como foi o do sociólogo e professor universitário Fernando Henrique Cardoso, o governo do torneiro mecânico formado no Senai Luiz Inácio Lula da Silva fez exatamente o contrário. Priorizou o setor e tornou-se o presidente que mais teve sensibilidade para investir nos centros irradiadores de ensino, pesquisa e extensão que neste país são as universidades públicas, notadamente as federais.

Os políticos sergipanos de todos os matizes ideológicos, quase todos egressos da UFS, têm uma imensa simpatia pela instituição, coisa, aliás, que o reitor Josué não cansa de exaltar. O apoio que a UFS tem encontrado no Congresso, onde emendas importantes são todos os anos aprovadas, é digno de elogio. Como se fosse pouco, o mandatário do Estado, Marcelo Déda, é UFS futebol clube desde que cursou Direito e, principalmente, foi onde se iniciou na vida pública, sendo presidente do Diretório Central dos Estudantes.

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, também é um egresso da Universidade Federal de Sergipe, onde cursou Medicina até o quinto ano e onde sucedeu a Déda no DCE, da mesma forma iniciando-se ali na política. Grandes nomes da medicina, das engenharias e das ciências sociais e jurídicas nasceram na UFS. O atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, estudou e ensinou na UFS.

E, por que não dizer, a instituição tem a sorte de num momento importante da sua existência ser dirigida pelo professor Josué Modesto dos Passos Subrinho — um sobrenome erradamente grafado por um desavisado escrivão, mas o nome certo no lugar certo. Josué conhece a UFS como ninguém, porque ali foi estudante, estagiário, servidor, professor, pró-reitor e vice-reitor antes de ser o principal administrador. Por isso mesmo, gere a instituição como se fosse a própria casa: com serenidade, atenção a todos as demandas e problemas domésticos, e austeridade.

Na gloriosa missão, sempre encontrou apoio no doutor em Farmácia, amigo e fiel escudeiro Roberto Angelo Antoniolli, vice-reitor e agora eleito reitor da Universidade Federal de Sergipe, com o aval de consistente parcela da comunidade universitária, que participou ativamente do processo eleitoral apesar da greve que paralisa a instituição. Além de docente do Mestrado em Ciências Farmacêuticas, Antoniolli é professor orientador nos doutorados da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio) e em Ciências da Saúde da UFS. É um estudioso das plantas medicinais.

“A nova imagem da UFS se fez, amplamente, a partir de uma política de inserção mais agressiva e mais profissional, com o propósito de não só defender a universidade pública e gratuita, mas também de mostrar à sociedade o que realiza e o que produz, expandindo-se, interior adentro, tanto em sua modalidade presencial quanto a distância, o que possibilitou uma maior recepção de alunos, um maior espaço de trabalho para docentes e técnicos administrativos”, avalia o futuro reitor.

Prestes a completar o segundo mandato, o reitor Josué confirma a avaliação feita lá atrás de que a Universidade Federal de Sergipe enveredou, nos últimos anos, pelo caminho do crescimento com sustentabilidade. Enquanto o campus de São Cristóvão e o campus da Saúde, em Aracaju (onde fica o Hospital Universitário), não param de crescer, novos campi surgiram no interior, como o de Itabaiana, Laranjeiras e Lagarto. Um novo campus está sendo disputado por Estância e Nossa Senhora da Glória, com perspectivas de se concretizar em breve.

No Processo Seletivo Seriado de 2004, a UFS oferecia cerca de 2 mil vagas em 54 opções de cursos. Novos cursos apareceram e agora a oferta atingiu quase 5.500 vagas em 106 opções de cursos nos cinco campi. O ano de 2011 fechou com quase 30 mil alunos matriculados na graduação, sendo que 6.500 desses fazendo curso à distância, direto das várias regiões do Estado. Além desses, 1.430 alunos cursavam mestrado ou doutorado. E a UFS democratiza a distribuição das vagas: dos aprovados no vestibular, metade é oriunda das escolas públicas estaduais, municipais e federais.

“Em 2012, o desafio de ampliar as oportunidades para nossos jovens se apresenta também com a consolidação do programa de ações afirmativas para estudantes de escolas públicas, e dentro destas, para grupos étnicos, além da reserva especial de uma vaga, em cada curso, para pessoas com deficiência”, informa o reitor.

Na pesquisa e pós-graduação, a UFS conta com 38 cursos de mestrado e oito cursos de doutorado — contra oito e um em 2004, ano de início da atual administração. A produção científica alcança 4.000 publicações anuais. E o número de artigos produzidos por docentes publicados em periódicos indexados à Web of Science passou de 56, em 2004, para mais de 200, em 2010. O indicador é o mais utilizado internacionalmente para aferir a qualidade da pesquisa científica acadêmica e a inserção internacional da universidade e confirma a evolução da qualidade da produção científica dos docentes da UFS.

A UFS conta hoje com 1.069 professores efetivos (eram 461 em 2004) e o número de docentes doutores passou de 165 para 684. Para a administração da instituição, o ano de 2007 ficará marcado como um dos mais importantes da história recente da UFS por conta da adesão ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que criou condições para a ampliação do acesso e permanência dos estudantes de graduação, para a elevação do nível de qualidade dos cursos e para o melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos.

Com o crescimento da universidade, neste momento há 24 obras civis em andamento, incluindo o Núcleo de Excelência em Petróleo, Gás e Biocombustível, construído com o apoio da Petrobras. São obras realizadas com recursos próprios, convênios, emenda ao Orçamento Geral da União e do Ministério da Educação, além de parcerias com outros ministérios e o governo estadual. “É bom lembrar que essas ampliações, reformas e construções estão sempre atreladas ao crescimento da oferta em todos os segmentos de atuação da UFS, uma universidade que não para de crescer”, diz, orgulhoso, Josué Modesto, que passará o bastão para Angelo Antoniolli em novembro.

Como se vê, o ciclo virtuoso da UFS tende a continuar.

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Comentários (8)
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Estudante
04/06/2012 às 08:13
Esse texto é digno de quem não conhece a Universidade Federal de Sergipe. Apenas elogios, sem nenhuma crítica. Próximo da excelência? A UFS está um caos, desde o transporte, o RESUN, o pífio número de bolsas e a falta de professores e estrutura. Aliás, porque a UFS está em greve, logo após o encerramento do REUNI? algo precisa ser melhor explicado.
Fernanda
04/06/2012 às 09:26
O que salta aos olhos na UFS, para quem está lá no dia a dia, é o crescimento desordenado. Não adianta oferecer 400 mil cursos e não aperfeiçoar. Aquilo lá é caótico! É falta de professor, é reforma mal feita, biblioteca sucateada, sendo que nem tem um ano. São produtos usados de má qualidade, oferecendo risco aos estudantes (ajulejos descolaram da Didática 5, que foi construída há tão pouco tempo, serviço do Resun que é vergonhoso). Não vejo o que comemorar como quer fazer crer o texto.
Edilson
03/06/2012 às 23:20
O campus de São Cristóvão foi inaugurado em 1980 pelo Prof. José Aloísio de Campos, 3º Reitor da UFS, 1976-1980. O Prof. Clodoaldo Alencar foi o 6º Reitor, 1988-1992. O 4º e 5º Reitor foram, respectivamente, o Prof. Gilson Cajueiro de Holanda, 1980-1984, e o Prof. Eduardo Antônio Conde Garcia, 1984-1988.
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