Assaltos: 113 rodoviários estão afastados por depressão
São crescentes as reclamações de motoristas e cobradores
14/09/2017  08:19
Neste ano, até o dia 10 deste mês, o Sinttra contabiliza 735 assaltos (foto ilustrativa: Arquivo Portal Infonet)

Os números não são precisos por falta da divulgação das estatísticas, mas de acordo com os dados fornecidos pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Aracaju (Sinttra) são crescentes e frequentes as reclamações de motoristas e cobradores que solicitam mudança na rotina de trabalho, pedem afastamento, e até demissão, da atividade profissional pelo medo da violência praticada contra os transportes coletivos da região metropolitana.

Conforme informações do presidente do Sinttra, Miguel Belarmino, cerca de 113 trabalhadores estão afastados das atividades profissionais, amparados pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INSS), em decorrência do medo e dos transtornos psicológicos que enfrentam em decorrência dos assaltos, dos quais foram vítimas, praticados por bandidos contra os transportes públicos. Este número pode ser maior, conforme admite o presidente do Sindicato, Miguel Belarmino. “O último levantamento foi realizado em março”, diz.

Conforme o sindicato, são constatados casos de depressão, com profissionais trancafiados em casa dominados pelo medo de sair às ruas. “Ficam em casa com medo, com pânico porque não sabem se, saindo para trabalhar, retornarão vivos ao lar”, comenta o presidente do Sinttra. Há casos também de pedido de demissão voluntária, em decorrência destes transtornos psicológicos, mas o Sinttra não detém esta estatística, segundo Belarmino.

Linhas violentas

O Sindicato também é solicitado a atuar junto às empresas para modificar a rotina daqueles que insistem em se manter no mercado de trabalho. Conforme Miguel Belarmino, há um grande número de profissionais que se recusam a atuar em linhas nas quais os assaltos são mais frequentes. Ele cita as linhas do Santa Maria, em Aracaju, Parque dos Faróis, em Nossa Senhora do Socorro, e também Campus, em São Cristovão, como as “mais violentas”.

Há profissionais, segundo Belarmino, que estão afastados há cerca de cinco anos, sempre renovando os benefícios que recebem do INSS. “Tudo isso porque são profissionais que não conseguem assimilar o fato de ser assaltado e continuar na atividade”, diz. Para o sindicalista, a Secretaria de Estado da Segurança Pública poderia dar uma maior contribuição à categoria realizando blitze e abordagens itinerantes, dentro dos coletivos, com maior frequência.

O tenente-coronel Vivaldy Cabral, comandante do Policiamento Militar da Capital, informou que a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) tem se empenhado para combater este tipo de crime. “Hoje mesmo tivemos uma reunião com todos os comandos da região metropolitana para reforçar a necessidade de realizar blitze e acompanhar os transportes coletivos. Há empenho, mas, infelizmente, a reincidência é grande”, considerou o tenente-coronel, dando ênfase às facilidades encontradas nas brechas da legislação penal que viabilizam a liberdade e o consequente retorno de acusados à prática destes crimes. “Realizamos as abordagens por amostragem, em locais que percebemos, pela mancha criminal, que tenha maior incidência”, ressaltou.

O Portal Infonet tentou ouvir o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) sobre as estatísticas. A assessoria informou que o Setransp dispõe destes números, mas revela que não serão divulgados. A assessoria informou apenas que o número de assaltos tem caído e que as empresas prestam a assistência necessária aos trabalhadores vítimas de assaltos.

Números

A estatística do Sinttra realmente revela queda no número de assaltos. Durante o ano de 2016, foram registrados 1.686 assaltos, segundo o Sinttra. Neste ano, até o dia 10 deste mês, o Sinttra contabiliza 735 assaltos, número inferior aos 1.236 registrados no mesmo período no ano passado, segundo a estatística do Sinttra. Neste ano, nove profissionais foram agredidos por assaltantes. No ano passado, um motorista foi assassinado.

Por Cássia Santana

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Comentários
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Cardoso de Almeida
14/09/2017 às 09:33
Não há estado de violência no Estado. Isso segundo o nosso governo. As notícias de violência ocorridas, não são do nosso Estado.
ANA CRISTINA NASCIMENTO
14/09/2017 às 11:14
pq os donos da empresa não tiram aquelas propagandas atrás do ônibus pq a visibilidade fica melhor, o veículo que estiver atrás tem como ver e ligar para o 190.Mais as propagandas fala mais alto no bolso deles
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