Amigos lamentam morte de Célio Nunes
Jornalista e escritor, Célio deixa muitos livros publicados e boas recordações na memória dos amigos e familiares
13/08/2009  17:15

Amigos e parentes dão adeus ao jornalistas / Foto: Correio de Sergipe
Logo que foram informados da morte de Célio Nunes, amigos do jornalista se juntaram aos familiares na OSAF da rua Itaporanga, centro de Aracaju, para compartilhar a tristeza pelo falecimento dele. Nas lembranças dos conhecidos, histórias de aprendizado e momentos de alegria com Célio.

O velório acontece até o início da manhã de sexta-feira, 14, quando o corpo será levado ao cemitério Santa Isabel, zona norte, para ser enterrado por volta das 10h.

Amigos falam sobre Célio

Aprendizado é a palavra que melhor define a relação entre Célio e o atual editor-chefe do jornal Correio de Sergipe, Raimundo Brito. Eles se conheceram quando Raimundo começou a botar em prática as lições aprendidas na faculdade na redação do Jornal da Cidade (JC).

“Eu entrei no JC como digitador e Célio era redator. Neste período foi pouco tempo que passamos juntos, mas anos mais tarde o reencontrei no Jornal da Manhã. Ele era meu chefe, mas tinha paciência para sentar, orientar e aconselhar. Sabia exercer o jornalismo e me ensinou a ser jornalista”, diz Brito.

Um dos melhores amigos de Célio Nunes, Fagner da Silva Ribeiro, diz que o momento é de dupla tristeza: pela morte do companheiro e por ele não ter conseguido lançar o seu mais recente livro, Micro Contos. “Ele possuía a arte da história curta. O admirava não só pela sua atividade como jornalista, mas também por ser um grande intelectual, poeta e contista”, diz.

O poder de síntese de Célio, aliado ao olhar atento às coisas, pessoas e situações cotidianas, o transformou em referência na produção de contos e o elevou ao status de grande escritor. Como jornalista, se destacou no estado de Sergipe principalmente por suas opiniões políticas firmes.

“Célio Nunes foi um dos mais brilhantes de sua geração e, embora perseguido pelo governo por causa de seus posicionamentos políticos, conseguiu levar em frente um belo trabalho dentro de sua profissão”, relembra o jornalista Ivan Valença, contemporâneo de Célio.  

Amigos próximos da família, como o ex-vereador de Aracaju, Sérgio Góes, também lamentaram. “Minha convivência com ele veio através de seu filho, Cláudio Nunes. Célio foi um jornalista digno e sério, qualidades herdadas por Cláudio, que segue a mesma linha do pai. Era uma figura extraordinária e uma grande perda para os sergipanos”, diz.

História

Célio Nunes estudou dois anos no curso de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia (UFBA), mas foi registrado como jornalista profissional conforme lei da regulamentação de 1971. Costumava dizer que era um autodidata, aprendeu tudo o que sabia na prática.

Foi militante estudantil, integrou a direção da primeira formação da União da Juventude Comunista em Aracaju. Ainda jovem, morou algum tempo em Salvador e no sul da Bahia, onde fundou a Sociedade Itabunense de Cultura (SIC), onde montou diversas peças teatrais.

Começou a carreira de jornalista na década de 50 como editor do jornal semanal Folha Popular, em Sergipe. Depois, na capital baiana, foi repórter, correspondente e redator dos veículos Jornal da Bahia e Tribuna da Bahia. Em Itabuna trabalhou no Jornal de Notícias, Diário de Itabuna e dos tablóides Desfile, Flâmula e SB-Informações&Negócios. Em Ilhéus, teve passagem pelo Diário da Tarde e Correio de Ihéus.

Prisão e volta a Sergipe

Foi preso pelo regime ditatorial em 1964, em Itabuna, por participar de um grupo de apoio á invasão de Belmonte, em invasão com Ligas Camponesas. No início da década de 70, já de volta a Aracaju, foi assessor de imprensa do antigo Condese e depois da Secretaria de Planejamento onde se aposentou.

Trabalhou na Gazeta de Sergipe (redator), Jornal da Cidade (redator e editor), Jornal da Manhã (redator, editor e diretor geral) e por alguns meses foi colunista do Portal Infonet, onde publicava contos. Ainda foi membro do Conselho Estadual de Cultura, diretor administrativo e Financeiro da SEGRASE, onde, eventualmente, exerceu a presidência.

Ele fundou o Sindijor/SE

O jornalista fundou o Sindicato dos Jornalistas de Sergipe (Sindijor/SE) e por duas vezes foi o presidente. Dirigiu a Federação Nacional dos Jornalistas, foi presidente da Associação Sergipana de Imprensa e chefe da Assessoria de Comunicação da UFS.

Também teve vários livros publicados, entre eles Contos, Trajetória para a Ilha dos Encantados, Réquiem para José Eleutério, O diário de W.J. e outras histórias, Contos e Contistas Sergipanos e o Moderno Conto da Região do Cacau.

Célio deixa três filhos, um deles o jornalista Cláudio Nunes. A equipe do Portal Infonet presta condolências ao colega e toda a família.  

Por Glauco Vinícius

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