Tetê Nahas: nova cia com grandes musicais no teatro
Atriz retoma ao palco para dirigir a própria companhia
24/11/2012  09:23
Tetê Nahas: realizando sonhos (Foto: Cássia Santana/Portal Infonet)

Depois de afastada dos palcos por um período de quatro anos e meio, dedicados integralmente à maternidade [uma renúncia para dedicação exclusiva ao filho, que tem com o jornalista Pedro Carregosa], a atriz Tetê Nahas volta ao cenário artístico dirigindo a próxima companhia, a Cia de Teatro que leva o seu próprio nome, com participação de 20 atores previamente selecionados.

Em dezembro, a Cia Teatro Tetê Nahas apresenta o primeiro espetáculo, ‘Corcunda de Notre Dame’, no Teatro Tobias Barreto: dia 11 às 19h e, no dia 16, às 16h. “Quem for ao teatro, vai poder constatar que temos ótimos atores”, diz. “Quero provar que, aqui no Estado e com pouca ajuda, nós podemos fazer grandes espetáculos e firmar uma grande companhia”, considera.

Tetê Nahas iniciou a atividade artística logo cedo, aos cinco anos de idade, com o grupo Grifacaca, com Severo D´Acelino, recebendo também apoio incondicional de Bosco Scaffs e, mais tarde, destacada como um dos grandes talentos do Grupo Imbuaça, a partir de 1991.

Nesta entrevista que concedeu ao Portal Infonet, Tetê Nahas fala da experiência de renunciar ao teatro de rua para se dedicar à maternidade e, agora, retornar com o propósito de tirar do baú mais um sonho: abraçar a própria companhia teatral para levar grandes musicais e grandes debates para o palco.

Leia, a seguir, os melhores trechos da entrevista da atriz:

Infonet – Como surgiu a ideia de criar, em Sergipe, a primeira Companhia de Teatro?
Tetê Nahas
– Surgiu após a maternidade. Depois de ter ficado quatro anos e meio cuidando do bebê sem atuar, comecei a enveredar em várias direções, a fazer grandes musicais. Enfim, experimentando mais perto a direção, eu disse: ‘por que não criar uma companhia?’ Com a maternidade, eu me afastei do grupo (Imbuaça), pedi para sair para ter dedicação exclusiva para o baby. Vi nas montagens, à frente da direção, e, não atuando, tomei gosto pela coisa e resolvi continuar, criando a companhia.

Infonet – A Cia. é composta por 20 atores sergipanos. Como ocorreu a seleção e os critérios de escolha deste grupo?
Tetê Nahas –
Só na Escola de Artes, tenho 25 anos, além de ser professora em escolas particulares e do interior. Sempre tem aquele aluno que se destaca e sempre guardei-os no meu bauzinho da felicidade com o sentimento de que um dia, quem sabe, vou poder resgatá-los. Então, foi isso que aconteceu. Esta seleção surgiu entre os alunos que se destacaram ao longo destes anos ministrando aula neste Estado de Sergipe.

Infonet – Quais as surpresas que o grupo reserva neste baú para o público sergipano?
Tetê Nahas –
A gente vem com uma discussão polêmica, que existe desde que o mundo é mundo, que é a questão do bullying. Estamos trazendo para o Estado, e quem sabe mais tarde nas nossas viagens, o Corcunda de Notre Dame. Este espetáculo, eu montei numa escola particular no ano passado, me apaixonei por ele e disse: ‘se tiver que retornar, no ano que vem, eu vou seguir com esta história, contar da minha forma, da minha maneira e, quem sabe, bagunçar o mundo’.

Infonet – E o que a Cia reserva para o público nos passos seguintes?
Tetê Nahas –
Muita música, muita dança, muita alegria e muita discussão porque a voz não pode parar. Não podemos parar de discutir aquilo que está calado. Vim e estou querendo burlar, mexer... estou querendo discutir da melhor forma, discutir com arte, levando o debate com muita alegria aquilo que o mundo precisa ver, reconhecer e acreditar.

Infonet – Sergipe tem espaço para estes espetáculos?
Tetê Nahas –
E como tem. Quem for ao teatro no dia 11 de dezembro, vai poder constatar que temos ótimos atores. E eu quero sim provar que aqui no Estado e com pouca ajuda nós podemos fazer sim, grandes espetáculos, e firmar uma grande companhia, assim como [ocorreu com o Imbuaça], que é o único grupo que representa Sergipe. Mas eu quero mostrar, contar de outra maneira, não através da literatura como meus amigos fazem, que o ator pode sim sobreviver das artes no Estado.

Infonet – Você tem origem no grupo Imbuaça. O que difere a Tetê do Imbuaça para esta Tetê à frente da Cia de Teatro?
Tetê Nahas –
No Imbuaça, eu era mais uma. E, aqui na companhia, eu vou estar à frente de um tudo. Lá [no Imbuaça], eu era simplesmente a atriz, e aqui eu vou estar sendo um tudo e confesso que está sendo difícil, como todo trabalho de início. Vou estar retornando para os palcos e, como voltar para os palcos atuando, dirigindo, produzindo... fazendo tudo. Lá, no Imbuaça, eu assumia apenas uma pasta, e aqui estou assumindo quase que um todo.
Infonet – E quanto às produções, há alguma semelhança entre aquilo realizado pelo Imbuaça e a linha de trabalho da Cia?
Tetê Nahas –
Não vou dizer que não vai ter [semelhança]. Mas pretendo focar mais em espetáculo de palco, e focar mais em musicais. Enquanto no Imbuaça, o forte é a rua. Quero realmente voltar para os palcos porque minha origem é de palco. No Imbuaça eu fiquei 17 anos e meio e no mais que 17 anos foi de construção anteriormente ao Imbuaça, de palco. Então, eu quero buscar estes dois equilíbrios, de palco e da rua, e levar para o público o que há de melhor dessa junção.

Infonet – Que mensagem você deixa para os jovens que pensam em ingressar no cenário artístico?
Tetê Nahas –
Eu diria, como base educacional, como base escolar e como base de vida, ‘faça teatro’. Eu sei que, com o teatro, você vai mudar a sua vida.

Por Cássia Santana

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