Cordel se moderniza em Sergipe
Literatura secular nordestina abriga conteúdo contemporâneo, como as eleições em Aracaju, epidemia de dengue em Sergipe e caso Pipita
27/10/2008  07:26

A praça na qual fica o cordelista leva seu nome
A estética rústica da literatura de cordel resiste ao tempo, mas o conteúdo dessa arte vai se adaptando ao período moderno. Nas bancas do Mercado Thales Ferraz, clássicos fictícios como ‘Chegada de Lampião ao Inferno’ dividem o mesmo espaço com assuntos contemporâneos, como a epidemia de dengue em Sergipe e o assassinato da menina Isabela Nardoni.

O celebrado cordelista João Firmino Cabral, 68 anos de vida e 52 na arte que lhe rendeu a cadeira de número 36 na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, justifica a atualidade no material que produz. “A gente informa igual a vocês, só que com rima e humor”, explicou à equipe do Portal Infonet.

Morte de Isabela, Pipita e corruptos viraram versos desta literatura
Seu Firmino confessa que as manchetes dos jornais contribuem para a formação dos versos, mas diz que a principal fonte de inspiração vem da boa prosa com os turistas e filhos da terra, que diariamente passam em sua barraca no Thales Ferraz. “Uns ficam contando os casos, outros fazem sugestão, e aí vai nascendo”, falou.

Pipita em cordel

Um exemplo de contribuição dos leitores está no cordel intitulado ‘Vida e Morte de Pipita – O Lampião que se apagou’, narrativa do menor que aterrorizou o interior sergipano em 2008. “Chegou umas moças de Tomar do Geru, começaram a falar dele, peguei uma coisa e outra que tinha lido no jornal e saiu”, disse.

Turistas de Roraima se encantam com a arte
O cordel de Pipita é um dos mais vendidos aos compradores sergipanos, que segundo o cordelista, são poucos. “Quem compra e entende mais são os turistas. O povo de Sergipe, principalmente o interiorano, não valoriza”, lamentou. O jornalista Rui Figueiredo, de Roraima, é um exemplo. “Compro dezenas toda vez que venho a Sergipe”, contou.

As eleições 2008 em Aracaju e a crise nas bolsas mundiais estão prestes a ser pendurados na sua ilustre corda no centro da capital. Questionado se o próximo ‘cordel da vida real’ abordará o recente seqüestro em Santo André (SP), Ronaldo Dórea, parceiro de seu Firmino, disse que vai aceitar o desafio. “A menina tem um nome bom de rima: Eloah”, falou.

Por Glauco Vinicius e Carla Sousa

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