OAB: homicídio de mulheres decorre de relações de afeto
Apelos publicitários e linguagem jornalística em debate
17/02/2017  14:42
Alese é palco de debate contra a misoginia (Fotos: Portal Infonet)

Dados da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE) revelam que em 70% dos homicídios em que as mulheres figuram como vítimas são decorrentes das relações de afeto. Como consequência, na ótica da vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da entidade, Valdilene Oliveira, o ambiente doméstico tem se tornado o mais perigoso para as mulheres no Brasil. “Enquanto a rua é um local perigoso para o homem, a casa é o ambiente mais perigoso para as mulheres”, considerou a advogado, referindo-se à elevada incidência de violência doméstica.

A análise foi feita na manhã desta sexta-feira, 17, promovida pela Frente Parlamentar em Defesa das Mulheres da Assembleia Legislativa de Sergipe para debater a relação dos meios de comunicação de massa com a misoginia [aversão ou ódio às mulheres]. Na ótica da representante da OAB/SE, a misoginia é cultuada no próprio ambiente familiar quando os pais começam a promover uma educação diferenciada para os filhos do sexo masculino.

A jornalista Maíra Cinthya Nascimento, professora da Universidade Federal de Sergipe, palestrante convidada pela comissão organizadora do evento, fez uma abordagem sobre as manchetes publicadas nos veículos de comunicação brasileiros e as peças publicitárias, destacando a mulher, e fez severas críticas ao tratamento que as pessoas do sexo feminino recebem. A professora entende que, tanto em matéria jornalística quanto em peças publicitárias, a mulher sempre sofre discriminação no tratamento, na medida em que é associada a produto e não como consumidora. Para a professora, estes apelos se caracterizam como misoginia e geram respaldo social para a prática de violência contra a mulher.

Maíra Cinthya: misoginia gera respaldo social para a violência

Valdilene: fim da educação diferenciada na família

A vereadora de Aracaju, Kitty Lima (Rede Sustentabilidade), se classificou como vítima em entrevistas que concedeu no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe. Aos jornalistas, Kitty Lima disse que sofre discriminação por ter optado pela prática de futebol americano, uma modalidade, na ótica dos conservadores [conforme frisou a parlamentar], reservada a desportistas do sexo masculino.

A representante da OAB/SE no evento destaca a necessidade de se articular políticas, dentro do próprio lar, equitativas, voltadas para a educação de crianças e a importância de se resistir a distorções no conceito de violência contra a mulher. “Temos que parar de romancear os abusos, parar com as relações abusivas romanceadas e promover uma educação igualitária na família”, enfatizou a advogada.

A advogada destaca como equívoco as promoções anunciadas em eventos festivos que colocam a mulher no centro das atenções para chamar a atenção do público masculino, analisando que os termos “mulheres free” ou “mulheres liberadas” funcionam como “cunho sexual pejorativo”. O sentido dúbio destas chamadas, na ótica da advogada Valdilene Oliveira, contribui com a “cultura do estupro”.

Por Cássia Santana

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