João Alves pagou quase R$ 1,2 milhão a fantasmas
Ex-prefeito, ex-vice e ex-vereador são denunciados pelo MPE
12/12/2017  16:05

Ex-prefeito e ex-vice foram denunciados pelo MPE (Fotos: arquivo Portal Infonet)

O ex-prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM), pagou, durante o mandato na Prefeitura de Aracaju, quase R$ 1,2 milhão a 22 servidores fantasmas, que mensalmente recebiam salários [que variavam entre R$ 800 a R$ 3 mil], mas sequer compareciam ao local de trabalho. Esta foi a conclusão das investigações em procedimento criminal investigatório de peculato realizado pelo Ministério Público Estadual (MPE) através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.

Pelo suposto crime praticado contra a administração pública, o MPE denunciou não apenas o ex-prefeito João Alves e os 22 servidores fantasmas, mas também o ex-vice prefeito José Carlos Machado (PSDB), o ex-vereador Agamenon Sobral (PP) [que indicou os três irmãos contratados pela administração pública] e ainda a então secretária de governo do município, Marlene Calumby, citados como responsáveis por nomeações de servidores fantasmas.

Na denúncia, os promotores de justiça Luciana Duarte Sobral, Bruno Melo, Leydson Gadelha Moreira e Jarbas Adelino Santos Júnior não deixam dúvidas que as nomeações foram pautadas em interesses pessoais, eleitoreiros, atendendo compromissos firmados pelo grupo político durante a campanha eleitoral de 2012, que elegeu João Alves Filho e José Carlos Machado para os cargos de prefeito e vice-prefeito da capital sergipana.

O ex-vereador Agamenon Sobral manteve três irmãos ocupando cargos comissionados durante todo o mandato de João Alves Filho na Prefeitura de Aracaju, recebendo salários regularmente sem trabalhar, segundo a denúncia do MPE. Os irmãos do ex-vereador, identificados como Robson Sobral Freitas, Joaquim Freitas Neto e Edgar Sobral Freitas informaram que assinaram as respectivas nomeações e aguardaram em casa a notificação da Prefeitura para ir trabalhar. Como a notificação não teria chegado, eles permaneceram em casa, recebendo os salários.

Os três Irmãos foram nomeados pelo gabinete do prefeito para exercer cargo de assistente de secretário, com remuneração mensal no valor de R$ 1.972,06 [cada um]. Eles foram nomeados no dia 7 de fevereiro de 2013 e exonerados no dia 1º de dezembro de 2016. No período, cada irmão do ex-vereador recebeu R$ 98.847,71, conforme a denúncia do MPE. E sem trabalhar.

Outros servidores também foram nomeados pelo gabinete do prefeito e também no gabinete do vice-prefeito. Consta que muitos servidores foram nomeados e apenas iam uma vez por mês na sede da prefeitura apenas para registrar o ponto. Outros informaram que tiveram no local de trabalho em alguns momentos, mas ficavam sentados no sofá por falta de espaço físico e também aqueles que declararam que faziam trabalhos esporádicos quando convocados pelo vice-prefeito, ficando à disposição da administração em casa, ou realizando trabalho social nas comunidades, mesmo sem capacitação técnica e sem ser servidor de algum Centro de Referência da Assistência Social (CRAS).

Para o MPE, o perfil destes servidores se caracteriza “como autênticos fantasmas”. Os promotores de justiça optaram por desmembrar as denúncias em cinco procedimentos investigatórios criminais de peculato, que estão tramitação na 2ª Vara Criminal de Aracaju, dependendo de manifestação do juízo. Este trabalho do MPE é resultante da Operação Antidesmonte desencadeada conjuntamente pelo MPE e Tribunal de Contas do Estado (TCE) para acompanhar as transições de governo, no final do ano de 2016, nos municípios sergipanos, tendo como objetivo prevenir e apurar ilegalidades praticadas pelos gestores que estavam em fim de mandato, e evitar a dilapidação do patrimônio público.

A auditoria na Prefeitura de Aracaju começou no dia 21 de dezembro do ano passado com relatório que culminou com a instauração de inquérito civil na Promotoria de Justiça dos Direitos do Cidadão.

Confira a relação dos políticos e dos servidores classificados fantasmas, denunciados pelo Ministério Público Estadual por crime contra a administração pública.

João Alves Filho – ex-prefeito
Marlene Alves Calumby – ex-secretária de Governo
José Carlos Machado – ex-prefeito
Agamenon Sobral Freitas – ex-vereador
Edgard Sobral Freitas
Joaquim Freitas Neto
Robson Sobral Freitas
Jorge Andrade Ribeiro
José Claudio Lima dos Santos
Jose Ednalvo Rosendo dos Santos
KemyllyRhayne Nascimento Santos
Ricardo Luiz Torres Fontes
Arhur Dantas Cruz
Kadja Kathariny Santos Correia
Laudier Matins Menezes
Magnólia Pereira de Figueiredo
Ricardo dos Santos Farias
Debora Maria Santos Oliveira
Edna Cruz Menezes
Gleide Maria Soares da Silva
Jeane Mércia Souza Pinto
Bruna Oliveira Marques
Bruna Santos Borges Estevão
Indhira Menezes da Cunha Fortes
Maria José Santos Justo
Rosangelo dos Santos

O Portal Infonet está à disposição de todos os citados pelo 2106-8000 ou pelo jornalismo@infonet.com.br


Por Cássia Santana

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Comentários
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Dias
13/12/2017 às 07:38
NÃO DEIXA DE SER UM ABSURDO. MAS ESSA PRÁTICA ESTÁ EM TODAS ESFERAS POLÍTICAS DO PAÍS. NO SEINFRA MESMO, TEMOS PELO MENOS UNS 4. MAS COMO O MP É MANOBRADO PELO GOVERNADOR, NÃO TEM O MENOR INTERESSE EM INVESTIGAR.
Renner Malta
13/12/2017 às 07:25
se alguem tiver rede social, é legal colar o link da noticia em algum comentario. Possivelmente varios desses citados tem publicações contra corrupção. Sao cidadaos de bem.
Lucas Oliva de Sousa
13/12/2017 às 06:59
Que final trágico de João Alves Filho e seu grupo político...
Boris
13/12/2017 às 10:06
Fim trágico quem teve foram milhares de cidadãos de bem dessa cidade. Enquanto esse meliante dilapidou o patrimônio público juntamente com sua família e amigos, diversos cidadãos morreram ou passaram por apuros na fila do Nestor Piva ou do Fernando Franco, além de milhares de servidores públicos que passaram pelo crivo de um concurso público, mas mesmo assim não tiveram direito de receber seu salário em dia, por que esse vagabundo alegava que a prefeitura estava em crise.
Sandra Regina
13/12/2017 às 10:39
Concordo plenamente com você Boris! Espero que todos eles sejam eficazmente punidos e devolvam todo o dinheiro roubado aos cofres públicos, mas fiquem certos que a pena de vocês apenas começou, a execução no inferno os espera...
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