Professores "queimam" deputados na porta da Assembleia Legislativa
14/06/2011















(Fotos: Daniel Nascimento/Portal Infonet)


Mesmo após a decisão do Tribunal de Justiça de Sergipe, por meio de liminar julgada pelo desembargador Cezário Siqueira Neto, reconhecendo a ilegalidade da greve dos professores da rede pública estadual, a categoria saiu às ruas e mostrou sua força na manhã desta terça-feira, 14. Durante a tarde, após uma assembleia, a categoria decidiu manter a greve inciada há 23 dias, pois o Sindicato dos Trabalhadores em Ensino do Estado de Sergipe (Sintese) ainda não foi notificado oficialmente da decisão judicial.



Na Praça Fausto Cardoso, em frente à Assembleia Legislativa, milhares de servidores da educação se juntaram, cantaram, protestaram e por fim queimaram os bonecos que representam o governador do Estado e os deputados estaduais, que de acordo com os professores votaram contra a categoria. Já por volta das 11h os professores fizeram uma passeata pelas ruas do Centro de Aracaju.



Além do governador Marcelo Déda, os deputados 'queimados' são Francisco Gualberto, Conceição Vieira, Angélica Guimarães, Gustinho Ribeiro, Maria Mendonça, Zezinho Guimarães, João Daniel, Suzana Azevedo, Paulinho das Varzinhas, Zé Franco, Jéferson Andrade, Gilson Andrade, Luís Mitidieri, Raimundo Vieira, Gilmar Carvalho, Pastor Antônio dos Santos e Adelson Barreto.















Em um discurso forte a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), Ângela Melo, falou sobre a queima dos bonecos.



“Os professores também trabalham com simbologias e nós estamos aqui na praça para mostrar à sociedade quais foram os deputados que votaram contra a categoria. Nesse período junino, sabemos que a fogueira serve para assar o milho, para assar carnes, para brincar de comadre e compadre, mas também para queimar votos”, destaca.



















Sobre a promessa do secretário de cortar o ponto dos professores, Ângela disse que a Secretaria de Educação emitiu um comunicado no final da semana passada exigindo que os diretores de escola convocassem os professores para que eles retornassem imediatamente às salas de aula na última segunda-feira, 13.



“Sobre pressão a gente não volta, o comunicado diz que o professor que não voltasse às aulas iria ter o nome com o CPF encaminhado para serem tomadas as medidas legais cabíveis”, revela a presidente do Sintese, falando ainda que apenas ilegalidade da greve na justiça pode fazer os professores voltarem às salas.



“Sabemos que a ilegalidade foi votada ontem porque o professor historicamente não paga para a justiça, não paga para o governo, ele paga para a luta. Eu não sei o que vai acontecer na assembleia desta tarde, por enquanto a nossa greve é legal e somente nesta assembleia vamos saber o que vai ser feito ou não“, afirma.

















Indignada, a professora há mais de 15 anos Selda Viana Menezes diz que o reajuste faz muita diferença para sua renda familiar. “Para mim esse reajuste faz muita diferença sim. Tenho duas filhas e faz muita diferença. Eu estou indignada, eu não esperava um governo fazer o que está fazendo pela educação”, fala.



Por Bruno Antunes



*Matéria atualizada às 16h51 para acréscimo de informações