
Caso Jonatha: SSP promete concluir inquérito em 20 dias![]() |
Cúpula SSP justifica morosidade de inquérito (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet) |
Prossegue mais um capítulo da angústia vivida pelo casal Rosinaldo Araújo Almeida e Patrícia Ayres, pais do adolescente Jonatha Carvalho dos Anjos, 16, cujo corpo foi encontrado no dia 24 de março deste ano, no município de Neópolis. Na tarde desta quarta-feira, 11, a cúpula da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) recepcionou os pais de Jonatha para justificar a morosidade da polícia civil para concluir as investigações. Eles já tinham procurado a SSP, mas não foram atendidos e nesta quarta, o secretário João Eloy optou por convidá-los a participar da reunião em seu gabinete na SSP.
No encontro, os pais narraram novamente a dor, angústia e o pesadelo que ainda povoa a família do adolescente. “Como mãe é difícil, mas digo que ainda acredito na justiça. Não queremos vingança, queremos apenas que as pessoas que fizeram isso com meu filho sejam identificadas e punidas”, desabafou Patrícia Ayres. “Ele era um aluno exemplar, nunca tirou uma nota vermelha e não tinha passagem pela polícia”, revelou, segurando os relatórios da escola estadual Hamilton Alves Rocha, onde Jonatha estava matriculado no segundo ano do ensino médio.
![]() |
Coronel Iunes e os pais de Jonatha: conversa diplomática |
Até o momento, a Secretaria de Estado da Educação permanece com a matrícula em aberto, aguardando o atestado de óbito que deve ser liberado pela SSP. “Nem a um velório digno, meu filho teve direito. Por falta de atestado de óbito, ele foi enterrado como indigente”, desabafa a mãe.
Paciência
O secretário de segurança, João Eloy, pediu paciência à família e informou que a polícia está aguardando o resultado de algumas diligências para concluir o inquérito policial. Aos familiares, o secretário prometeu que as investigações serão encerradas num prazo de aproximadamente 20 dias.
O secretário explicou que a morosidade na liberação do atestado de óbito é decorrente do resultado do exame de DNA, realizado em Brasília. “O resultado chegou comprovando que o corpo é realmente do adolescente e, na próxima semana, o atestado está sendo liberado”, informou Eloy.
![]() |
Patrícia Ayres: "nem velório digno meu filho teve" |
Há suspeita que o jovem tenha sido executado durante uma operação policial desencadeada entre a noite do dia 13 e madrugada do dia 14 de março deste ano, no município de Japoatã, que culminou com a morte de Anderson de Jesus Oliveira, Ricardo André Carvalho Pimentel, conhecido como ‘Fofo’ e Eraldo Santos de Jesus, o ‘Mago’. O trio é acusado de integrar uma suposta quadrilha responsável pelo assassinato do soldado Elder Freitas, crime ocorrido no dia primeiro de março.
As investigações estão sendo conduzidas pelo delegado Jonathas Evangelista, da Coordenadoria das Delegacias do Interior. À imprensa, o delegado informou que está faltando uma peça principal no inquérito que seria um novo laudo pericial a respeito de novas diligências realizadas no local onde o corpo do adolescente foi encontrado para tentar localizar o projétil que matou o adolescente. A vítima foi alvejada por um tiro na cabeça, mas o projétil não foi localizado no corpo do adolescente, segundo o delegado. “No primeiro laudo, não houve indicação do tipo de arma usada no crime”, observou. “Não sendo encontrado o projétil, uma prova fica prejudicada, mas há outros meios de provas para concluir o inquérito”, adverte.
Os pais do adolescente morto não têm dúvida que ele estava no veículo alvo da operação policial realizada entre a noite do dia 13 e a madrugada de 14 de março. “Há testemunhas que viram meu filho no carro”, garante a mãe. Mas a polícia ainda não se manifestou quanto à autoria do crime. “Não posso informar nada a respeito de indícios de autoria antes da conclusão do inquérito”, diz o delegado. “Vários policiais foram ouvidos e a reconstituição do crime foi feita com base nestes depoimentos. Todos informam que Jonatha não estava no veículo naquele confronto”, enfatiza o delegado.
Por Cássia Santana