Relações entre Ensino de História e Livros Didáticos.
11/01/2017



Mônica Porto Apenburg Trindade

Graduada em História pela Universidade Federal de Sergipe

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação pela mesma instituição

Integrante do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS)

Orientador: Prof. Dr. Dilton Cândido dos Santos Maynard



O Livro Didático é uma ferramenta muito importante no cotidiano escolar para a construção do saber. Possuindo uma linguagem acessível, um formato resumido e um caráter pedagógico, ele consegue alcançar diferentes faixas etárias e esferas da sociedade. Não bastasse isso, consiste em um material de fácil transporte, permitindo ao aluno estudá-lo em diferentes locais, buscando o conhecimento também, fora do ambiente da sala de aula.  

No caso dos livros da área de História, além de prepararem o indivíduo intelectualmente, estes suportes didáticos têm como função social preparar o ser humano para o exercício da cidadania, bem como forjar um caráter livre de preconceitos e qualquer forma de intolerância.

Diante de tal constatação, podemos afirmar que os conteúdos temáticos encontrados nos livros de História, devem ser cuidadosamente trabalhados a partir de conceitos, referencial teórico, linguagem apropriada, além de procurar um enquadramento com as tendências historiográficas da época e, paralelamente, apresentar uma proposta pedagógica que desperte o interesse do aluno.



Iranilson Buriti Oliveira (2007) em seu texto sobre autor, autoria, produção e consumo de livros didáticos, afirmou que os conteúdos existentes nesse suporte didático, atendem a uma determinada função pedagógica e são munidos de práticas socioculturais, além da influência de outros textos nos quais o autor do livro didático se ampara.

Partindo dessa perspectiva, compreendemos que os autores preparam os conteúdos das coleções didáticas, mediante critérios pré-estabelecidos e a partir de escolhas. Essas escolhas, por sua vez, demonstram o quanto a narrativa presente nos livros didáticos não é neutra, assim como não é imparcial nenhum escrito historiográfico.

É nesse sentido que o professor, cuja função, entre outras, é a de compreender e problematizar os discursos por trás dessa narrativa, desconfiando sempre, atentando para o que está escrito nas entrelinhas, confrontando os conteúdos registrados nos livros didáticos, com outros textos e fontes históricas, com o objetivo de criar um senso crítico nos alunos.

Quantos profissionais de História não ouviram essa frase nos tempos da graduação: “Não existe verdade absoluta”! É quase uma espécie de primeiro mandamento do aspirante a historiador! No entanto, não poucas as vezes, o profissional de História tem caído na “própria armadilha”, conduzindo sua escrita para a construção de “verdades e memórias cristalizadas”, focando quase sempre nos “grandes nomes”, com o intuito de estabelecer uma homogeneização do conhecimento.

Luís Fernando Cerri e Ângela Ribeiro Ferreira (2007) apontaram uma explicação plausível para o problema. Segundo os autores, existem diferenças cruciais de concepções, maneiras de ensinar e necessidades de acordo com as distintas ocupações institucionais entre os professores Acadêmicos e os do Ensino Básico.

Logo, o fato de um docente universitário, que talvez nunca tenha ministrado aula no Ensino Médio, ou quem sabe, apresente um maior tempo e traquejo com o campo da pesquisa, não enxergue com bons olhos a presença dos “vultos históricos” encontrados nos livros didáticos de forma escrita ou por meio de imagens, alegando que se trata de uma história positivista, com um viés mais tradicional e, portanto, encarado como algo ultrapassado.

Por outro lado, a visão de Cerri e Ferreira também contribuiu para levantarmos os seguintes questionamentos: É correto “amenizar” a responsabilidade dos autores de livros didáticos de História, quanto a exibirem uma postura crítica ao escreverem os conteúdos, quando grande parte deles também são professores do ensino básico? Essa dicotomia Professor Universitário X Professor do Ensino Básico deveria realmente existir? Essas são algumas das indagações inquietantes em torno da relação entre o Ensino de História e os conteúdos dos Livros Didáticos, as quais, apresentamos ao leitor.