Mangue Seco (BA) Profissionaliza-se
10/11/2017













Vilarejo retrô - Silvio Oliveira


Ao chegar ao vilarejo de Mangue Seco (Jandaíra-BA), esqueça do correr das horas. Nada de pressa. Deixe o clima fluir tranquilamente e curta os inúmeros personagens que povoam o imaginário da localidade: Tieta do Agreste, Bafo de Bode, Perpétua, Mulher de Branco. Pode até preferir os mitológicos Lobisomem, Mula sem Cabeça, Fogo-Corredor. Mas é num bate-papo descontraído com a comunidade que o turista deixa o imaginário de lado e percebe que a originalidade e a rusticidade do povoado não é por acaso.



Grande parte dos moradores vem construindo o pensamento de que se preservar e desenvolver o turismo com base sustentável, todos ganham: visitante, comunidade e economia local, meio ambiente.













Buggy é o transporte oficial do vilarejo


Os primeiros avanços para não prejudicar os ecossistemas são as definições de rotas de passeios de buggys pelas dunas e a sinalização local, com o fomento da cooperativa de condutores e da construção de empreendimentos de forma sustentável, respeitado o meio ambiente. Essas é outras ações já soam como um alerta que turismo responsável é aquele que gera renda para a comunidade local e se preocupa com as futuras populações e a paisagem local.













Chegada ao vilarejo - silvio Oliveira


Por isso, caminhar pelas poucas ruas de areia do povoado é sentir o tempo passar bem devagar. Em tempos de romance de Jorge Amado, o vilarejo não possuía energia elétrica e muito menos água potável, mas 40 anos depois muita coisa mudou. A localidade mantém a rusticidade, com casinhas envoltas de uma igreja, um cruzeiro e ruas de areia. Simples e bons restaurantes aportaram por lá, em conjunto com opções de hostel, pousadas e um bom hotel em frente da pracinha principal. Lojinhas de artesanato dão um tom turístico.



Recentemente Mangue Seco ganhou um calçadão margeando o rio Real, onde espalham-se as pousadas, bares, restaurantes e casas de pescadores, criando uma boa estrutura de apoio para os turistas.













Dunas e encontro do rio com o mar - Silvio Oliveira


O transporte principal da vila são os buggys que levam turistas para conhecer as dunas e a região de praia. Também há embarcações confortáveis, a exemplo de veleiros com capacidade para mais de 40 pessoas, ou lanchas para seis pessoas, que fazem os passeios às ilhotas da região. Não deixe de banhar-se na Ilha da Sogra, em terras sergipanas e conhecer, mesmo que em passeio panorâmico, a praia do Saco.













Pôr do sol é atração - Silvio Oliveira


Também não deixe de ir até o ponto mais alto da povoação, onde se tem a vista da ponta do Mangue Seco, da praia do Saco, ao longe; da ponte Gilberto Amado, também ao longe. Os principais mirantes – Bela Vista, Pôr do Sol, Cajueiro, Skibunda e Romeu e Julieta – levam os turistas a observarem uma beleza sem igual de vários ângulos, além do povoado quase encoberto pelas dunas. O encontro dos rios Piauí, Real e o afluente Piauitinga também é avistado e revela a hidrografia da região.



O passeio de bugre custa, em média, R$ 130 para quatro pessoas e dura uma média de 1h30. O transfer vilarejo/praia, custa R$ 60 + comissão do guia. (Associação de Condutores de Buggys - setembro de 2017).



A preguiça vai tomar conta do corpo depois de curtir um verdadeiro SPA natural em suas praias. O pôr do sol já vai aportando no horizonte, com sabor de despedida. Que nada, no anoitecer, dormir e acorda com a bela vista do povoado é só o convite para mais um passeio.













Descanso - Silvio Oliveira


Dicas de viagem




Gastroterapia





O catado de aratu cozido na palha da bananeira e as cocadas são bem apreciados por quem visita o litoral sul de Sergipe. As doceiras fazem cocadas à base de castanha de caju, de amendoim, a tradicional de coco branco e até de goiaba e de doce de leite. Fátima é uma delas é vende as guloseimas nas praias do sul de Sergipe e em Mangue Seco. As cocadas brancas com raspa de coco e coco queimado são bem tradicionais. Não pense na dieta ao apreciá-las.Com certeza o bom mesmo é comer sem culpa, apreciando cada raspinha do coco. Cada cocada custa R$ 5 ou três por R$ 12. Os catados custam R$ 5.













Cocada












Ensopado de aratu












Catado de aratu












Coco e catado


Fotos: Silvio Oliveira