Penedo (AL) Pelo Caminho do Imperador
30/11/2017















Igreja de Nossa Senhora das Correntes


Há registros de que Sua Majestade se hospedou  em Penedo (AL) no período de 13 a 15 de outubro de 1855, visitou seis igrejas, entre elas, a igreja do Convento de São Francisco, e a suntuosa capela Nossa Senhora da Corrente, participou de beija-mão no Paço imperial, fez visitas à Santa Casa de Misericórdia, além de fábricas e prédios públicos, tudo isso de passagem para se chegar à cachoeira de Paulo Afonso.



Os registros também apontam que foi em Penedo onde o imperador Dom Pedro II sentiu-se mais à vontade em sua viagem às Alagoas em 1859, há 158 anos. Ele registrou em seu diário: “O local é muito bonito e creio que deverá estar aqui a capital da província”.



Naquela época, o lugar era um centro movimentado, porto de muitas riquezas e região de desenvolvimento. Sobre às águas do rio São Francisco transitavam embarcações que escoavam prosperidade.













Vista panorâmica de Penedo


Os prédios históricos e os registros comprovam o apogeu desta época, e graças a eles, hoje se pode percorrer o Caminho do Imperado, oficializado pelo Turismo de Alagoas em 2009 e que abrange um tour envolvendo 12 municípios alagoanos, mais Propriá (SE), Jatobá (PE) e Paulo Afonso (BA), baseado na viagem descrita por Sua majestade através de diário, fotos e desenhos.



O Tô no Mundo revisita a cidade alagoana à beira do rio São Francisco de pouco mais de 60 mil habitantes e traz dicas do que conhecer.













Vista panorâmica de Penedo


Conta o historiador, médico e antropólogo alagoana Abelardo Duarte, em seu  livro “Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina nas Alagoas", que o imperador e sua comitiva aportou em Penedo no dia 13 de outubro de 1859, pernoitando dias 14 e 15, sendo recebido, primeiramente, por autoridades das províncias de Sergipe e Alagoas, quando em visita a várias cidades do Baixo São Francisco e que tinha a direção de chegar até a cachoeira de Paulo Afonso, propaganda no reinado a época como uma das mais belas do mundo.



Turisticamente, a dica é iniciar a visita à cidade a pé, na avenida Beira-Rio, ponto de partida para seguir os passos do Imperador. Observe o complexo de construções e veja a pujança econômica, arquitetônica e cultural de uma época, mais precisamente do século XVIII, e que essas construções documentam o apogeu no presente.













Roteiro Caminhos do Imperador


Seguindo à direita pela avenida, a primeira parada é na igreja de São Gonçalo Garcia, que existe desde 1758 e abre todos os dias. Sobre ela, Dom Pedro afirmou em seus registros e publicados no livro do historiador alagoano que se comparada com outros templos católicos da cidade, trata-se de uma construção escura. “Não deixa de ser elegante e tem relevos em pedras grés, o interior não é feio e pena é que esteja arruinada”.













Ruas da secular Penedo


A segunda parada que deverá fazer é mais à direita, na praça 12 de Abril, na suntuosa capela de Nossa Senhora da Corrente (iniciada em 1764 e concluída em 1790), tombada pelo Iphan por seus detalhes arquitetônicos do barroco, rococó e neoclássico, decorada com azulejos portugueses do Império e piso de cerâmica inglês.



Construída pela Família Lemos que era contra a escravidão, a igreja possui uma passagem secreta para esconder os escravos fugitivos. Lá D. Pedro II assistiu a uma missa e dedicou uma lauda de descrições sobre a igreja.



Quase que à frente da capela, um casarão amarelo, em estilo colonial, moradia da família Lemos, hospedou a comitiva composta por mais de 40 pessoas. Hoje o casarão Sede do Governo Imperial à época abriga o Museu do Paço Imperial, pertencente à Fundação Raimundo Marinho, guardiã de muitas das imagens da família real. É imprescindível uma visita ao paço aberto todos os dias, com exceção da segunda-feira.



Percorrendo a avenida 7 de Setembro, o visitante observará os casarões e a praça do Barão de Penedo, o Oratório da Forca (onde os prisioneiros rezavam antes da forca), parte do Forte Maurício de Nassau (Forte da Rocheira), a catedral de Nossa Senhora do Rosário, todos os prédios merecedores de uma visita detalhada.













Forte da Rocheira


Ao final da rua, chega-se ao complexo arquitetônico são-franciscano fundado em 1739, onde em uma de suas paradas o Imperador participou do Te-Déum. Merece a visita, principalmente, a igreja de Nossa Senhora dos Anjos, descrita pelo imperador como “dourada com pinturas no teto e capela funda”, além de ser registrar por seus morcegos e também do junco, que, segundo ele, parecia capim e cobria o chão em dias de festa.



Na praça do convento fica o obelisco centenário da Independência e, mais a frente, na travessa João Pessoal, a igreja de Nossa Senhora dos Rosários dos Pretos, como em outras cidades coloniais, menos rebuscada e sutil, erguida no século XVII pelos negros. Abre de domingo a domingo, das 8h às 18h.













Vista do Forte da Rocheira


Na Casa do Penedo, pertinho dali, uma das personagens do diário de Sua Alteza continua intacta: a piranha embalsamada. Ele ficou tão encantado com o peixe que o reproduziu de próprio punho. A tal piranha permanece lá. “Tem 12 dentes em cima e outros tantos em baixo, se não me enganei na conta, e estes últimos maiores, sendo todos muito agudos e de base larga; as escamas parecem douradas em muitos pontos; hei de vê-la de dia”. Hoje, pode ser vista por qualquer um em visitar a fundação Casa de Penedo.













Praça do Barão de Penedo


Para finalizar os caminhos, não deixe de percorrer a avenida Floriano Peixoto, com o hotel São Francisco, o prédio do Teatro 7 de Setembro, entre outros. O passeio de barco pelo rio São Francisco é mais uma opção para documentar essa história de beleza que resguarda a realidade, os mitos, as tradições. Até porque, o Caminho do Imperador não é só feito de realidade. O rio São Francisco e seu imaginário fazem parte dessa história e é mais um caminho a contar.



Dicas de viagem






Gastroterapia





Sem sombra de dúvida, a gastronomia regional se baseia nos pratos à base dos frutos do rio São Francisco e litorâneo alagoano, a exemplo de pescados e camarões. Há também opções em um dos restaurantes onde se pode apreciar de pratos “de caça” como jacaré. Não deixe de degustar do peixe surubim, escasso e raro na mesa dos ribeirinhos, mas ainda presente.  Ensopado ou frito é uma boa pedida para se ter a noção dos peixes de água doce do Velho Chico. Também há o pitu, um camarão graúdo servido ensopado ou somente cozido em água e sal. Seguindo mais para a direção do litoral, nas praias de Piaçabuçu, cidade vizinha a Penedo, a dica é comer o siri, um crustáceo parente do caranguejo, presente em áreas litorâneas da região.



Fontes: Fontes de consulta: Agência Sebrae de Notícias, Gazeta de Alagoas, Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina nas Alagoas: A viagem realizada ao Penedo e outras cidades sanfranciscanas, à cachoeira de Paulo Afonso, Maceió, Zona Lacustre e região norte da província - Abelardo Duarte – Imprensa Oficial Graciliano Ramos.













Siri












Ensopado de surubim












Teatro 7 de Setembro














Fotos: Silvio Oliveira