Araripe Coutinho lança coletânea na OAB
25/03/2010


Araripe lança o décimo livro
“Eu não deveria ter nascido. Quando vi, estava eu aqui, meio lama no imenso mundo retratado, cheio de quadrúpedes rondando a minha sala. Pedi para voltar. Gritei muito, antes de ouvir uma voz dizendo: desça e arrase!”. Foi o que escreveu o poeta Araripe Coutinho no texto de abertura do seu mais novo livro, o Obra Poética Reunida, que será lançado nesta quinta-feira, 25, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Sergipe.

O livro de poesias traz toda a produção do poeta Araripe Coutinho. A produção completou 20 anos em 2009, desde a publicação de ‘Amor Sem Rosto’, em 1989, premiado com o Santo Souza de Poesia pela Fundação Estadual de Cultura até ‘Nenhum Coração’, publicado em 2008. E traz ainda o inédito ‘O Sofrimento da Luz’, de 2009, um estudo sobre a loucura.

“Esse é o meu décimo livro e trata-se de uma coletânea dos 20 anos escrevendo, uma oportunidade para que as pessoas leiam poesias, já que não estão habituadas, principalmente agora com a velocidade das coisas, por conta da Internet. A poesia para que serve? Apenas para salvar o poeta dele mesmo”, ressalta Araripe Coutinho destacando que a poesia ficou cada vez mais restrita a um público.

Poeta é apaixonado pelo jornalismo
Linguagem Jubilosa

Indagado quanto à linguagem das suas poesias, o poeta disse que “minha poesia eu considero uma linguagem jubilosa. As pessoas podem sentir isso. É sempre em torno de Deus, da morte e do amor”, explica Araripe Coutinho lembrando que a nova obra fará com que as pessoas tenham um aprendizado geral do que ele escreveu ao longo da vida, de tudo que está acontecendo.

O novo livro de Araripe Coutinho conta com o patrocínio do Instituto Banese e apoio cultural da Celi, Contrutora Cunha, Cosil, Energisa, Faculdade PIO X, Fecomércio, Fanese e São Lucas.

Solenidade

O lançamento está marcado para às 20h desta quinta-feira, 25, na sede da OAB Sergipe, localizada à Av. Ivo do Prado, devendo contar com várias pessoas que acompanham a trajetória do poeta que nasceu no Rio de Janeiro e mora em Aracaju desde 1979.

Histórico

Araripe Coutinho estudou Letras e é jornalista profissional. Abandonou o curso e preferiu as redações. Apaixonado pelo jornalismo começou a escrever no jornal de Santo Amaro das Brotas, em Sergipe, incentivado pela professora e poeta Lígia Pina, de quem foi aluno no Colégio de Aplicação da UFS. Depois daí teve colunas assinadas no Jornal da Cidade, Gazeta de Sergipe, Correio de Sergipe e fundou com Ilma Fontes o jornal “O Capital.

Desencantado

“Eu pude fincar minha vida bem no meio da floresta escura de Dante. E aqui estou até hoje, - desencantado. Mas o que fazer de mim mesmo, pela graça ainda vivo? O que faço dopado de remédios que a indústria farmacêutica assassina insiste em me fazer tomar oito comprimidos, quando um só resolveria? Como posso com o fígado estéril sem nunca ter bebido uma gota de álcool continuar sorrindo sem minha bílis? Eu que sucumbo, dia após dia, diagramando meu féretro, sonhando com um epitáfio assim: ‘fui fluminense, o resto preferi  esquecer’ ", destaca o poeta Araripe Coutinho.

Bibliografia

•  Amor sem Rosto, 1989, Prêmio Santo Souza de Poesia, Secretaria de
Estado da Cultura..
•  Asas da Agonia, 1981, Ed. Scortecci/SP.
•  Sede no Escuro, 1994, Editora Scortecci/SP..
•  Passarador, 1997 – Ediçai Independente..
•  Sal das Tempestades, 1999, Editora J. Andrade..
•  O Demônio que é o Amor, Sercore, 2002..
•  Como Alguém que Nunca Esteve Aqui,2005, Sercore..
•   Do Abismo do Tempo, 2006, Sercore.
•   Nenhum Coração,Prêmio Santo Souza de Poesia, Secretaria de Estado da
Cultura, 2008 – Sercore..
•   O Sofrimento da Luz, 2009, J. Andrade.

Por Aldaci de Souza